O Engenheiro que desafiou os gigantes do aço e criou plataforma que já movimentou R$ 7 milhões.
Ele tinha material parado na sua indústria em Garibaldi e teve a ideia de criar o “Mercado Livre do Aço” no Brasil.
Durante décadas, o problema esteve escondido dentro de galpões industriais pelo Brasil: toneladas de aço paradas, imobilizando capital, enquanto outras empresas pagavam mais caro por falta de acesso ao mesmo material. Foi a partir dessa contradição que o engenheiro mecânico Eduardo Breda transformou uma dor interna da própria empresa em uma plataforma inédita no país.
A história começa dentro de uma indústria familiar, a Tibre estruturas metálicas em Garibaldi. Após anos tocando o negócio ao lado da mãe, Breda percebeu que a empresa havia se tornado refém do próprio modelo: decisões centralizadas, dependência dos donos e um estoque crescente de aço obsoleto — cerca de R$ 2 milhões parados. “Na taxa Selic, esse dinheiro pagava salário e ainda sobrava”, ouviu de um conselheiro externo durante uma reunião de governança. O problema era claro. A solução, nem tanto.
O aço representa até 50% do custo de uma estrutura metálica. No Brasil, o mercado é dominado por poucas usinas, que ditam preços, prazos longos e exigem compras em grandes volumes. Para pequenas e médias indústrias, sobram duas opções: comprar mais do que precisam ou pagar caro nas distribuidoras. Enquanto isso, empresas maiores acumulam excedentes que não conseguem vender com facilidade.
Foi nesse cenário que Breda fez a pergunta chave: “E se quem tem sobra pudesse vender para quem tem falta, de forma segura, anônima e eficiente?”
A resposta virou um projeto de madrugada, fim de semana e papelão rabiscado na praia. Ao lado de dois sócios da área de tecnologia, Lucas Luis Baruffi e Isaac Roque Sartori Jr., Breda criou a Bubuyog, uma plataforma digital que conecta vendedores e compradores de aço excedente, sem custo de cadastro ou mensalidade. O modelo lembra um leilão: empresas anunciam o aço disponível, compradores fazem ofertas, as negociações são flexíveis (inclusive por lote parcial) e o pagamento fica retido em uma conta garantida. Sendo que o dinheiro só é liberado após a conferência do material. Tudo acontece de forma anônima até o fechamento, evitando conflitos entre concorrentes diretos.
Se o comprador não tiver transporte, a própria plataforma pode oferecer o frete. Se o material não corresponder ao anunciado, o negócio é cancelado — e o vendedor é penalizado.
Em pouco mais de três anos de operação, a Bubuyog já reúne mais de 1.130 usuários ativos, com empresas de todos os portes, espalhadas principalmente pelo Sul e Sudeste do Brasil. Só em 2024, a plataforma movimentou mais de R$ 7 milhões em aço, com tíquete médio acima de R$ 70 mil por transação. “É um ecossistema vivo: tem indústria grande, distribuidora, serralheria, recicladora. Todo mundo convivendo no mesmo ambiente”, resume Breda.
Apesar de ser a única plataforma do Brasil dedicada exclusivamente ao aço, o plano é maior. A tese pode ser replicada para qualquer mercado dominado por poucos fornecedores: madeira, polímeros, MDF, insumos industriais. “Não é sobre aço. É sobre destravar mercados travados”, afirma.
Hoje, a startup já conta com um fundo de investimento no capital, testa modelos de leilão com inteligência artificial e valida novas frentes de crescimento. O faturamento ainda oscila — típico de startups em fase de experimentação —, mas a base cresce diariamente.
Um nome estranho que virou vantagem
O nome curioso vem do idioma filipino: Bubuyog significa abelha e também desenvolver. No início, foi um problema. Hoje, virou ativo estratégico: a marca domina buscas, anúncios e se tornou facilmente reconhecível no setor.
Fonte: Portal Adesso



