Mesa-redonda reuniu especialistas para discutir reparo, recuperação e reaproveitamento de componentes, além dos impactos do custo e da disponibilidade de matérias-primas
Fonte: Assessoria ABM
A remanufatura de moldes, matrizes e ferramentas pode contribuir para a preservação de ativos industriais e para a redução de custos e impactos ambientais, mas ainda envolve desafios técnicos, econômicos e relacionados à disponibilidade de matérias-primas. O tema foi discutido em mesa-redonda “Remanufatura global de moldes e ferramentas: desafios e oportunidades para a indústria”, promovida pela Comissão Técnica de Moldes, Matrizes e Ferramentas da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM).
Realizado no Auditorium Vale – Briquete de Minério de Ferro, o encontro reuniu diferentes perspectivas sobre práticas e tendências globais de remanufatura, incluindo processos de reparo e recuperação e novas possibilidades de reaproveitamento de materiais. A programação contou com a moderação de Ana Paola Villalva Braga, Assessora de Desenvolvimento de Negócios no IPT; e as apresentações de Giuseppe Pintaude, professor da UTFPR e coordenador da Comissão Técnica; Fabio Miranda, pesquisador responsável da Brats; e Louriel Oliveira Vilarinho, coordenador na Laprosolda-Embrapii/UFU.
Da recuperação à remanufatura
Segundo Pintaude, a discussão realizada na ABM Week 10 representa um aprofundamento de uma agenda que já vinha sendo trabalhada no seminário. No ano anterior, o evento havia abordado técnicas de recuperação e reparo de componentes. Nesta edição, a proposta foi ampliar a discussão para um cenário global e incorporar de forma mais abrangente a perspectiva da economia circular. “O assunto é muito vasto e não pode ser esgotado em dois encontros, porém, já houve avanço na discussão sobre o reparo, a recuperação e a remanufatura de moldes e matrizes”, avaliou o professor.
A evolução do tema também está relacionada à necessidade de preservar ativos diante do aumento do custo das matérias-primas e dos processos de fabricação. Segundo Pintaude, a continuidade da discussão deve considerar tanto a possibilidade de aprofundar a remanufatura quanto temas complementares relacionados à preservação de ativos industriais.
Reaproveitamento de materiais críticos
Entre os temas apresentados esteve a remanufatura de ferramentas de metal-duro, com foco no reaproveitamento de WC-Co para o desenvolvimento de novas ligas destinadas à aplicação em matrizes de conformação e estampos de corte. A abordagem trouxe para o debate não apenas o potencial técnico do reaproveitamento, mas também os desafios relacionados à disponibilidade dos materiais utilizados nessas aplicações.
Fabio Miranda destacou que os metais duros possuem ampla gama de aplicações, mas que o cenário atual impõe dificuldades adicionais para sua utilização. O cobalto, apontado como matéria-prima crítica, e o tungstênio aparecem nesse contexto como materiais estratégicos para a cadeia. O pesquisador também relacionou o acesso ao tungstênio ao cenário geopolítico e às dificuldades de fornecimento observadas no mercado.
A discussão reforçou, assim, que a remanufatura não se limita à recuperação da vida útil de um componente. O reaproveitamento de materiais pode integrar uma estratégia mais ampla de eficiência no uso de recursos, especialmente em cadeias industriais que dependem de matérias-primas de alto valor ou sujeitas a restrições de oferta.
Conhecimento compartilhado para avançar
Para Pintaude, a multiplicidade de conhecimentos é fundamental para ampliar a discussão sobre a remanufatura. O professor citou como referência a existência de iniciativas específicas no setor automotivo voltadas ao tema e destacou que a preocupação com a recuperação e o reaproveitamento de componentes ultrapassa uma única cadeia produtiva.
A integração entre diferentes áreas também deve orientar os próximos debates da Comissão Técnica de Moldes, Matrizes e Ferramentas. Segundo Pintaude, uma das possibilidades é acompanhar os projetos em execução e identificar, a partir dos resultados obtidos, quais temas podem contribuir para novos avanços — seja por meio de abordagens mais disruptivas, seja pela ampliação gradual do conhecimento acumulado.
Para ele, essa conexão com quem desenvolve os projetos na prática é uma das chaves para definir os próximos caminhos da discussão. “A gente precisa escutar muito quem está executando”, afirmou o professor.


