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6º Relatório de Indicadores WIM Brasil aponta que no ritmo atual o setor da mineração só terá paridade de gênero em 2049

O lançamento do estudo da WIM Brasil em parceria com a EY acontece em 10 de novembro, no Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte

A Women in Mining Brasil (WIM Brasil) lança, no dia 10 de novembro, das 16h às 20h, no Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte, a 6ª edição do Relatório de Indicadores WIM Brasil, realizado em parceria com a EY. Sob o tema “Da presença ao poder: o desafio de transformar compromisso em ascensão, permanência e resultados”, o estudo consolida o panorama mais completo já produzido sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na mineração brasileira. O destaque da edição é a estimativa de que, mantida a tendência linear observada entre 2023 e 2026 — período em que a participação feminina na força de trabalho passou de 21% para 25% —, a paridade de gênero na mineração (50%) seria alcançada por volta de 2049. A estimativa é uma extrapolação linear da série observada e reforça que, apesar do avanço, o ritmo ainda demanda aceleração[1].

O dado reforça que o avanço é real, mas segue lento, persistindo como ponto de atenção. Há, porém, sinais de aceleração pontual: a presença de mulheres na gestão operacional mais que dobrou desde 2024, chegando a 22%, ante 17% registrados em 2025 e 10% em 2024. As contratações para posições de gestão são a etapa mais equilibrada do fluxo de carreira das mulheres no setor, representando 25,3% do total. “Temos avançado de forma contínua, mas ainda em um ritmo aquém do necessário para transformar de fato a realidade do setor. O caminho para a equidade exige persistência, compromisso e ações concretas, capazes de ampliar oportunidades e acelerar essa mudança”, afirma Luciana Félix, diretora de DEI da WIM Brasil.

Na frente de equidade salarial, o avanço é um dos mais expressivos do relatório: 61% das empresas já realizam auditorias periódicas, quase o dobro do registrado em 2021 (31%). O topo da hierarquia, porém, segue como o maior gargalo: em metade dos conselhos de administração reportados não há nenhuma mulher. Estes e outros dados, que permitem acompanhar de forma mais ampla os avanços e os desafios da participação feminina na mineração, estarão disponíveis após o evento de lançamento, no 6º Relatório de Indicadores WIM Brasil: https://www.wimbrasil.org/relatorios/

DEI: Avanços com pontos de atenção

A formalização institucional de DEI avança em algumas frentes e recua em outras. Os princípios de DEI constam em 85% dos códigos de conduta das empresas e as cláusulas de diversidade na política interna avançaram 10 pontos percentuais, chegando a 71%. O setor também está medindo mais e melhor: o percentual de empresas que realizam o censo de diversidade anualmente saltou de 29%, em 2025, para 41% em  2026. Em contrapartida, a formalização de programas de DEI recuou de 63% para 48% das empresas, o menor patamar da série histórica, e apenas 34% mantêm comitê com regimento, orçamento e profissional dedicado à frente da agenda, quase metade (48%) ainda opera sem verba própria.

As cláusulas de diversidade seguem concentradas na porta de entrada, como recrutamento e seleção (80%), e perdem força justamente nos processos que sustentam a permanência e a ascensão, como promoção (18%) e comunicação interna (16%). “Vimos a formalização de programas cair de 63% para 48%, e menos da metade das empresas ainda concilia comitê, orçamento e responsável dedicado à frente da agenda. O próximo passo do setor é dar à equidade a mesma disciplina de gestão que ele aplica à segurança e à produtividade, com metas, orçamento e responsabilização claros”, afirma Patrícia Procópio, diretora-presidente da WIM Brasil.

O cuidado com a maternidade e a primeira infância também ganhou força: 69% das empresas já formalizam benefícios de amamentação e apoio a filhos de até 3 anos, o maior patamar da série histórica. Os dados ainda informam que 43,5% das respondentes praticam os 180 dias de licença-maternidade.

O recorte interseccional ainda é um desafio

O relatório também aprofundou o olhar sobre raça, deficiência e diversidade sexual, e os dados mostram que a equidade de gênero, sozinha, não garante representatividade plena. Entre as mulheres do setor, 48,8% são brancas, 36,3% pardas e 9,3% pretas, e essa diferença se acentua na liderança, onde mulheres brancas somam 61,3% (ante 64,7% em 2025), enquanto pardas (24,5%) e pretas (5,1%) seguem sub-representadas, e a participação diminui nos níveis de liderança, reforçando o desafio de representatividade na ascensão.

Entre as pessoas com deficiência, observa-se um padrão semelhante de menor representatividade nos níveis hierárquicos mais altos: PcDs representam 4,9% da força de trabalho nas funções não gerenciais, 1,2% na liderança operacional e 0,3% na alta liderança, uma diferença de 4,6 pontos percentuais entre a base e o topo da hierarquia.  Já a pauta LGBTQIAP+ segue mais presente no discurso do que na prática: a dimensão consta nas políticas e processos internos  de 82% das empresas, mas apenas 45% priorizam formalmente o tema com metas e indicadores, o maior descompasso entre todos os recortes de diversidade avaliados pelo relatório.

Sobre a pesquisa

O 6º Relatório de Indicadores WIM Brasil foi construído a partir de uma pesquisa realizada com 62 empresas do ecossistema mineral brasileiro, sendo 36 mineradoras, 20 prestadoras de serviços e 6 fornecedoras. Em conjunto, as mineradoras participantes reportaram 120.183 empregados, volume equivalente a 52,3% dos 230.011 empregos diretos da indústria extrativa mineral registrados pelo Novo Caged e divulgados pelo IBRAM em fevereiro de 2026. O número de empresas participantes cresceu quase 290% desde 2021, de 16 para 62, e 9% apenas no último ciclo.

Os dados reportados referem-se ao período de 1º de junho de 2025 a 31 de maio de 2026 e têm o objetivo de avaliar a maturidade das políticas de DEI a partir de seis pilares de análise: perfil das respondentes, governança, representatividade, desenvolvimento feminino e carreira, segurança e infraestrutura e retenção. O questionário foi atualizado em parceria com a EY, ampliando os recortes de gênero para raça/etnia, gerações, pessoas com deficiência (PcDs), LGBTQIA+ e configurações familiares, preservando as séries históricas para os indicadores-chave sempre que há equivalência metodológica.

SOBRE A WIM BRASIL – é uma associação dedicada a ampliar e fortalecer a participação feminina em todas as esferas da indústria da mineração. Para transformar o setor de forma estratégica, a organização desenvolve ferramentas fundamentais, como o Relatório de Indicadores, que mapeia com dados concretos o cenário atual, e o Plano de Ação, que apoia as empresas na implementação de uma cultura de Diversidade e Inclusão sustentável. Por meio de iniciativas voltadas para a equidade e o respeito, a WIM Brasil atua lado a lado com profissionais e organizações para criar ambientes mais inclusivos que impulsionam o presente e o futuro do mercado mineral.

 

SOBRE A EY – existe para construir um mundo de negócios melhor, ajudando a criar valor em longo prazo para seus clientes, pessoas e sociedade e gerando confiança nos mercados de capitais. Utilizando dados, inteligência artificial e tecnologia como viabilizadores, equipes diversas da EY ajudam clientes a moldar o futuro com confiança e a solucionar as questões mais complexas do mundo atual. As equipes da EY atuam em todo espectro de serviços em assurance, consulting, tax e strategy and transactions. Impulsionadas pela visão dos setores da indústria, parceiros de diversos ecossistemas e uma rede multidisciplinar e globalmente conectada, as equipes da EY podem fornecer serviços em mais de 150 países. Todos juntos para moldar o futuro com confiança.

[1] Estimativa obtida por regressão linear simples sobre a participação feminina publicada em 2023, 2024, 2025 e 2026 (21%, 23%, 22% e 25%). Trata-se de extrapolação indicativa da tendência observada, não de previsão, uma vez que a composição das empresas respondentes varia entre os ciclos.

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