A AGENA, líder no fornecimento de lubrificantes para o segmento de laminação e trefilação de cobre no Brasil
A AGENA, líder no fornecimento de lubrificantes para o segmento de laminação e trefilação de cobre no Brasil, dispõe de uma linha completa para atender às necessidades dos clientes, tanto de produtos para cobre, como de alumínio.
Indicar o produto apropriado para as necessidades de lubrificação, permitir a maior vida útil possível, manter a melhor qualidade de limpeza das máquinas e fios, melhorar a performance das fieiras, garantir maior produtividade e reduzir os custos é a principal função do Representante Técnico da AGENA.
As principais empresas de trefilação do Brasil trabalham com os produtos AGENA e usufruem do seu competente suporte.
A AGENA também fabrica e comercializa produtos para usinagem, estampagem, tratamento de superfície, desengraxantes industriais, protetivos e produtos Private Label.
A AGENA RESINAS E COLAS LTDA. tem mais de 50 anos de excelência, certificada ISO 9002, e se localiza no estado do Rio de Janeiro.
Acesse: www.agena.com.br
Fronius apresenta soluções inovadoras para baterias de tração
Destaque da feira Intermodal será a família Selectiva
Com uma vasta experiência na área, a empresa exibirá seus equipamentos e serviços que são capazes de garantir economia, sustentabilidade e praticidade aos usuários da intralogística. Mariana Kroker, gerente de vendas da unidade de negócios de baterias da multinacional estará presente dando informações sobre as últimas tecnologias e novidades para o setor. “A Intermodal é uma feira que utilizamos como sinalizador. Percebemos que o mercado está reagindo, ainda que de forma gradual, mas temos grandes expectativas para fecharmos bons negócios durante o evento. Nossa meta é ampliar nossa participação no segmento de logística em diversos setores, inclusive o automobilístico. Temos tecnologias avançadas que atendem ao mercado com eficiência e qualidade”. Explica a gerente.
Destaques
O grande destaque da feira vai para o carregador Selectiva 2kW, uma solução inteligente e econômica para baterias tracionarias menores. Os usuários de empilhadeiras elétricas podem, com isto, reduzir consideravelmente o consumo de energia e os custos operacionais e, ao mesmo tempo, prolongar de forma significativa a vida útil das baterias
Ao contrário de processos convencionais, o carregamento Ri não fixa a curva característica a uma corrente predeterminada, ou seja, a sobrecarga que é responsável por grande perda de energia e pelo aquecimento nocivo da bateria, mantém-se reduzida no nível mínimo.
Graças à inteligente tecnologia Ri, a Fronius alcança um grau de eficiência de carregamento de aproximadamente 90%. Em comparação com outros métodos de carregamento, os clientes finais podem economizar até 30% do seu custo de energia para carregar a bateria.
No estande da Fronius também estará disponível o Cool Battery Guide Easy – solução que otimiza a utilização da bateria através do sistema de informação e gerenciamento. Sintetiza-se em uma unidade de controle ligada a uma faixa de LED em cada sistema de carregamento da bateria, que informa ao usuário qual bateria foi carregada há mais tempo. Isto garante que todas as baterias serão utilizadas igualmente com a mesma frequência e com tempo suficiente para resfriar.
Baterias carregadas permanentemente
Geralmente é comum o armazenamento de baterias, o problema é que quando são estocadas por muito tempo elas acabam sendo descarregadas e muitas vezes perdem sua eficiência. Para resolver este problema, foi desenvolvido o Switch Box .
Quando conectado a um sistema de carregamento de bateria da linha Selectiva, o sistema é capaz de conectar até 10 baterias, que são carregadas sucessivamente, graças ao recurso de detecção automática de voltagem da família Selectiva. O Switch Box pode cobrar de forma flexível as baterias com 12 a 80 volts e com diferentes capacidades.
Acesse: www.fronius.com/pt-br/brasil
Que tal colocar um Tubarão no seu aquário?
A opção de contratar um executivo experiente de forma interina ainda é incipiente em nosso mercado, seja por motivação histórica, insegurança jurídica ou simples desconhecimento.
Até poucos anos atrás tínhamos uma população insuficiente de bons executivos comparado a demanda da época, somado a um crescimento acelerado em diversos setores da economia. Isso motivou um ambiente de empregabilidade seguro e estável, com ótimos pacotes de remuneração, benefícios e bonificações. Quem se aventuraria em uma posição interina, se tinha a mão uma proposta de emprego estável e com ótimos benefícios? Difícil dizer. Arrisco um palpite, tipo alguém movido por questões pessoais ou ideológicas.
Mas os tempos mudaram, e como mudaram. O Brasil experimentou nestes últimos anos um cenário econômico nunca visto em nossa história recente, com uma profunda recessão em conjunto com uma crise política que torna ainda mais difícil a retomada do crescimento.
Os pontos abaixo criaram uma oportunidade singular para as pequenas e médias empresas, assim como para o surgimento de novos negócios:
- A forte recessão iniciada há três anos tirou o emprego de milhões de trabalhadores, incluindo milhares de executivos;
- A falta de perspectiva de retorno das vagas de emprego impulsionou os mais arrojados a empreender, buscando uma alternativa de sustento para as suas famílias;
- Na média, o prazo de recolocação de executivos se estendeu de meses para anos, levando estes a buscarem alternativas dentro de suas especializações;
E é neste quadro que surgiram as oportunidades para empresas menores, antes incapazes de pagarem a alta remuneração, benefícios e encargos exigidos para terem executivos experientes e capazes de solucionar as barreiras que limitavam o crescimento ou até a sobrevivência de seus negócios.
Surgiu e tem crescido a modalidade onde estes executivos tem vendido a sua experiência na forma de consultoria ou como um executivo interino, por projeto ou prazo determinado.
Pode surpreender, mas o formato desta relação de negócio, é diferente de um processo de recrutamento e contratação de alguém que virá a fazer parte da empresa, e que deverá influenciar, se não conduzir estratégias e solução de problemas e gargalos.
Relaciono a seguir alguns dos desencontros que mais tem gerado confusão nesta ainda nova modalidade no Brasil. Vale mencionar que a mesma se desenvolveu fortemente após a crise do estouro da bolha de “sub prime” em mercados do hemisfério norte.
Não é um casamento, é uma tentativa – Um dos principais erros cometidos é o excesso de ênfase que se coloca na “aderência” do candidato com a cultura da organização. Não merece ser uma prioridade na seleção, pois este executivo está sendo contratado para resolver problemas num curto espaço de tempo. É determinante que cumpra as atividades que veio executar. Se tiver o perfil adequado para a organização, pode num segundo momento compor o quadro da companhia.
Nenhuma empresa tem um “Problema Geral” – Um generalista é raramente a escolha certa para um executivo interino, que entra para resolver problemas específicos. Empresas não tem “problemas gerais”. Seja cauteloso com aqueles que tem atuação generalista. Será necessária uma árdua curva de aprendizado para entender e atender as necessidades especificas da empresa. O candidato necessita ter a especialização que o problema precisa para ser solucionado. Contratar um executivo interino não é similar a contratar um funcionário operacional.
Esteja preparado para contratar mais – A maioria das contratações de executivos interinos são resultado da identificação de um problema ou uma oportunidade da empresa que não tem pessoal devidamente qualificado para atuar naquela frente. Um executivo interino deverá ser capaz de rapidamente entender a situação, identificar as ações a serem tomadas e começar a tomar decisões. Um executivo sênior é usualmente capaz de dar a velocidade necessária com mais agilidade.
Consultores de carreira raramente são bons executivos interinos – As atividades de um executivo interino envolvem decisões estratégicas e ações sobre estas decisões. A maioria dos consultores de carreira desenvolveram suas experiências aconselhando e recomendando soluções. Quase nunca são responsáveis pelas implementações e resultados gerados por elas. Executivos experientes conseguem desempenhar muito melhor pois foram executores (“hands on”) e não conselheiros.
Não pague preços de consultoria por um gerente interino – A pesada carga tributária que incide sobre a folha de pagamento torna esta modalidade bem atrativa no Brasil (observado o modelo fiscal desta contratação). Diferente da remuneração de consultorias, que trabalham em base-hora, um executivo interino deverá prestar serviço para uma empresa em período integral por diversos meses, o que torna o custo por hora extremamente oneroso. Considere também que numa eventual futura efetivação deste executivo, a negociação salarial será muito mais produtiva se já estiver alinhada com a politica de remuneração da empresa, e não for necessário um substancial corte nos ganhos do executivo para a contratação se efetivar.
Não é a quantidade da base de candidatos; é a aderência à solução do problema – O recrutamento de um executivo interino precisa ser mais que uma grande base de candidatos. Precisa ter um processo que identifique a capacidade de entregar os resultados que o problema exige. Priorize um processo que garanta que os candidatos a serem apresentados vivenciaram problemas similares aos que a empresa enfrenta, não somente palavras chave na identificação de currículos em uma busca na base de dados.
Finalizando, o Brasil experimentou com vários traumas a “onda” da terceirização ao longo das décadas passadas. Não faltaram pontos cegos na legislação e mau uso desta iniciativa. Outro dado importante foi o momento econômico, início da década de 90, com altíssimos índices inflacionários, que fizeram com que a principal premissa fosse a redução de custo a qualquer preço. As iniciativas focaram muito pouco na manutenção ou até melhoria da qualidade que esta modalidade poderia trazer aos clientes corporativos. Consequentemente, uma grande sombra paira sobre iniciativas que visam a redução de custo nas relações de trabalho, e aversão a modelos que foram vencedores em outras economias.
Com a atualização da legislação trabalhista, recentemente sancionada, um importante movimento nestas relações será percebido, num processo de amadurecimento e aperfeiçoamento, trazendo maior segurança jurídica para as partes.
Na outra ponta temos um batalhão de executivos disponíveis, um capital intelectual pulsante e esperando ser aproveitado pelo mercado. Algo difícil e lento, se for considerado o modelo tradicional de emprego.
Neste contexto, o executivo interino surge como uma oportunidade para as empresas melhorarem os processos e setores que podem aumentar a sua produtividade e rentabilidade, elevando o patamar de competividade e qualidade de gestão de se negócio.
Roberto Lobo – executivo de Finanças e sócio da innovativa Executivos Associados
Implemento tem maior carga útil e economia de combustível com uso do Strenx
Semireboque tanque com três eixos distanciados da empresa Triel HT apresenta melhor desempenho com o chassi feito em aço de alta resistência Strenx da siderúrgica SSAB, aumentando em 5% sua capacidade de carga, gerando uma compensação de custos com insumos, como óleo diesel, pneus e manutenção.
O Grupo Triel HT, empresa de Erechim (Rio Grande do Sul) que oferece as mais modernas soluções tecnológicas em implementos rodoviários, logística agroindustrial e viaturas especiais, encabeçou um projeto que melhorou a capacidade de carga de um Semireboque tanque com três eixos distanciados com Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de 53 toneladas utilizando aços de alta resistência, gerando ganhos representativos e alcançando grandes resultados.
No projeto, o chassi foi feito com o Strenx, aço de alta resistência produzido pela siderúrgica sueca SSAB. O produto é projetado para os setores em que a alta resistência estrutural e a redução de peso são fatores competitivos importantes, especialmente na indústria de elevação de carga, movimentação e transporte.
O Semirreboque tanque com três eixos distanciados com chassi convencional possui capacidade de transportar 35 toneladas de combustível. Com a conversão do chassi de aço convencional pelo Strenx e com tanque em liga de alumínio, houve uma redução de duas toneladas na tara do equipamento. Ou seja, ele passou a operar com capacidade de 37 toneladas de carga líquida, um ganho muito significativo, de acordo com Elton Arenhart, Gerente de Desenvolvimento de Engenharia de Tanques Rodoviários do Grupo. “Esse ganho de carga líquida possibilitou um aumento de 5% no faturamento na mesma configuração de eixos do equipamento e PBTC. O aumento em 5% da capacidade de carga ajuda a compensar despesas de insumos, como óleo diesel, pneus e manutenção”, afirma. “Por exemplo: se o equipamento fizer quatro viagens por mês, transportando duas toneladas a mais, numa tarifa de fretes de R$ 200,00 a tonelada, somando ida e volta, teremos R$ 800,00 por viagem. Multiplicado esse valor por quatro viagens ao mês, teremos um faturamento a mais de R$ 3.200,00”, frisa, destacando outros benefícios. “Quando o implemento opera com menos carga, gasta menos combustível”.
Há também o caso do percurso, onde o equipamento opera vazio até o local da carga. “Com duas toneladas a menos de carga, há, certamente, economia de combustível. A vantagem fica mais evidente quando a frota é maior, pois com 18 unidades de implementos com 37 toneladas de capacidade, teremos o seguinte resultado: além de um faturamento líquido a mais sem despesa de R$ 7.200,00 multiplicando por quatro viagens, seriam R$ 57.600,00 por mês e ainda teremos um veículo a menos na frota, ou seja, um veículo trator e um tanque a menos”, complementa.
O payback (retorno do investimento) de um equipamento construído em liga Strenx/alumínio, é de dez meses em relação a um equipamento convencional, construído em aço inox e ligas convencionais.
Assim, o Grupo Triel HT tornou-se membro My Inner Strenx, programa de qualidade para empresas que projetam e fabricam estruturas de aço avançadas que aproveitam ao máximo o aço de desempenho Strenx. “Com o selo, teremos vantagens em preços, qualidade do material, além de ser um produto rastreado”, salienta. A combinação das propriedades do aço Strenx e os requisitos de qualidade do My Inner Strenx resultam em produtos com maior desempenho e segurança. Além disso, os clientes que escolhem os membros do My Inner Strenx como seus fornecedores vão obter produtos avançados com materiais, técnicas de processamento e desempenho otimizados para as suas necessidades.
De acordo com Arenhart, a busca pela nova solução se deu pela competitividade do mercado e pela excelência no transporte de cargas líquidas. “Antigamente, não havia uma preocupação com o peso dos veículos, pois os custos dos insumos eram baratos. Com o passar dos anos, os preços foram subindo além do esperado e fomos atrás de produtos para aprimorar nossos equipamentos Assim, começamos a procurar ligas mais resistentes para aumentar a capacidade de carga, deixando os equipamentos mais leves. O resultado com o Strenx nos projetos e a consequente diminuição do peso é almejado pelos frotistas”, comenta. “De 20 anos para cá, conseguimos uma redução de até 20% no peso de implementos”, pondera. “Agora, com a utilização do Strenx, seriam mais 5% de alivio na tara, chegando ao limite máximo de eficiência em volume de carga”.
Elton conta que o desenvolvimento do produto foi um processo rápido, sem dificuldades ou obstáculos. Para ele, o projeto também mostra a qualidade da matéria-prima. “Com os aços da SSAB, pudemos desenvolver produtos cada vez mais leves. O próprio mercado e o cliente, com o aumento de combustível e insumos em geral, passaram a nos pedir para produzir equipamentos mais leves, para compensar o aumento de custos”, ressalta Elton. “Mesmo com flexibilização do uso de materiais, não tivemos perda de resistência. Pelo contrário, tivemos ganhos”, finaliza.
Triel HT, empresa familiar que está há 34 anos no mercado, tornou-se uma empresa referência no mercado agroindustrial no Brasil e América Latina. Fundada em 1984, iniciou suas atividades como uma fábrica de trilhadeiras e de equipamentos agrícolas. Com o passar dos anos, expandiu seus negócios em diversos segmentos, principalmente, no ramo da indústria de equipamentos rodoviários. Em 1990, a Triel HT já se mostrava um empreendimento arrojado, ganhando visibilidade no mercado nacional e internacional com sua linha de equipamentos rodoviários. Seu extenso mix de produtos contempla os melhores equipamentos do setor. O Grupo TRIEL-HT conta com 5 unidades fabris e atende os cinco continentes, exportando suas soluções para os mais diversos mercados do mundo.
Acesse: www.ssab.com
A eficiência da galvanização a fogo no aumento da vida útil dos tubos
Ricardo Suplicy Goes
Gerente Executivo do ICZ – Instituto de Metais não Ferrosos
PARTE 2
Ressaltamos que para cada tipo de galvanização tem suas aplicações específicas, porém quando o objetivo é obter-se a maior vida útil possível, considerando a categoria de corrosividade do ambiente em que a peça está inserida, recomenda-se o processo da galvanização por imersão a quente geral, pela maior espessura de zinco obtida.
Com relação à aplicação em tubos, é importante conhecer os processos de fabricação dos mesmos, pois influenciarão diretamente na vida útil definida em projeto.
Fabricação dos tubos
Sem costura
Os tubos sem costura são fabricados por três tipos de processos industriais – laminação (para os de grandes diâmetros), extrusão (para aqueles com pequenos diâmetros) e processo de fundição.
Com costura
Usando uma ferramenta chamada “calandra” que dobra a chapa de aço em torno de si mesma e as extremidades são soldadas.
Existem duas formas de aplicar o processo de solda na fabricação de tubos industriais: longitudinal (ao longo de uma geratriz do tubo e a mais empregada na maioria dos casos) e espiral.
Como a galvanização por imersão a quente geral aumenta a vida útil do aço
Ela oferece dupla proteção: Barreira e Catódica.
Proteção por Barreira
A aplicação do revestimento de zinco, formando a barreira, em uma galvanização por batelada envolve a imersão de aço em um banho de zinco fundido. Porém, ao contrário do processo contínuo, em que o aço é imerso por um breve período de tempo, o processo por batelada requer que a peça seja imersão por períodos de tempo bem maiores, medidos normalmente em minutos, não em segundos. Há duas razões para a necessidade de períodos de imersão mais longos. Uma delas é permitir que a peça alcance a temperatura do banho. A imersão de um tubo grande com paredes grossas relativamente frias, por exemplo, resulta em uma película de zinco com temperatura de superfície muito baixa ao ser imersa. Para que o revestimento se una metalurgicamente ao aço, o tubo precisa alcançar a temperatura de banho para “derreter” o zinco. Depois, é necessário um tempo adicional para desenvolver a zona de ligação da liga de ferro/zinco.
Ao contrário do processo contínuo, onde a camada de liga tem que ser mantida muito fina para acomodar a conformação subsequente na forma final, no caso de peças galvanizadas por batelada, a camada da liga pode ser mais espessa. Na realidade, uma camada de liga mais espessa é normalmente desejada para proporcionar um tempo de vida mais longo ao produto final, isto é, um tempo maior antes do aparecimento de ferrugem. Como o próprio zinco, a camada de liga protege galvanicamente a peça de aço e uma camada de liga mais espessa significa uma vida mais longa.
Uma micrografia representativa da camada de liga que se forma enquanto o aço é imerso no banho é mostrada na Figura 04. Como pode ser visto nesta foto, a camada de liga é quase 50% da espessura do revestimento total, que na verdade consiste de duas ou mais camadas de zinco/ferro. Cada uma dessas camadas distintas se combina para formar a zona de camada de liga “total”. As camadas intermetálicas das ligas Zn/Fe são mais rígidas que as de aço, conforme a denominação da “Dureza” VICKERS. Este fato oferece maior proteção ao substrato do aço em possíveis danificações nestas regiões.
Proteção Catódica
Além da proteção mecânica (barreira) o principal motivo de se utilizar o zinco neste processo é a proteção catódica sobre a peça. Como vimos na definição do processo, o zinco tem um potencial de redução menor que o de ferro, mais anódico. Por isto o zinco sofre corrosão preferencialmente ao aço, sacrificando-se para proteger o ferro. Este processo aumenta a proteção em casos de o revestimento sofrer danos que provoque cavidades (riscos) na camada de zinco. Os sais de zinco, formados na corrosão do zinco, por serem aderentes e insolúveis, se depositam sobre a superfície exposta do aço, isolando-o novamente do meio ambiente. Este processo assemelha-se a uma “cicatrização”, popularmente mencionada pelos galvanizadores. Porém observamos que este processo ocorre quando o revestimento sem zinco ou danificado sejam em áreas menores ou iguais a 8 mm2.
Veja a ilustração na figura 05 abaixo:

Entre o zinco e a tinta ocorre o fenômeno denominado Sinergismo, que é a ação cooperativa de duas ou mais substâncias, de modo que o efeito resultante é maior que a soma dos efeitos individuais destas.
Assim a durabilidade do Sistema Duplex é determinada pela seguinte fórmula:
DSD = K ( DG + DP ), onde:
DSD: Durabilidade do Sistema Duplex;
K: Coeficiente de Sinergia (depende do ambiente e do sistema de pintura)
DG: Durabilidade da Galvanização a fogo (determinada pela espessura do zinco);
DP: Durabilidade da Pintura (determinada pela resistência interna da película de tinta e aderência ao substrato).
FATORES SINÉRGICOS “K” (Exemplos)
AMBIENTES FATOR
Ambiente de baixa agressividade 2,0 a 2,7
Industrial e Marinho 1,8 a 2,0
Água do mar (imerso) 1,5 a 1,6
EXEMPLO: (valores estimados para ambiente C3)
AÇO PINTADO – 10 anos
AÇO GALVANIZADO – 45 anos
AÇO GALVANIZADO e PINTADO = (10+45) x 2,0= 110 anos de vida útil.
Os principais usos/aplicações, algumas normatizadas, são os seguintes:
- Armazenagem (silos, tanques)
- Energia Solar e Eólica
- Iluminação (postes)
- Mobiliário Urbano
- Defensas metálicas (guard rail)
- Pórticos em rodovias / ferrovias
- Estruturas Metálicas (em todo sistema de transporte, aparelhos de ginástica)
- Telecomunicações (torres)
- Eletrificações (torres)
- Construção Civil (vergalhão galvanizado, perfis em aço)
- Pontes e Viadutos (metálicas e de concreto)
- Passarelas
- Tuneis
- Elementos de fixação (parafusos, porcas, arruelas)
- Agropecuária (pivôs de irrigação)
- Tubulações
Exemplo de uso no Brasil de tubos galvanizados por imersão a quente:
Adutora emergencial
galvanizada, aérea e unida por acoplamentos mecânicos.
Local: Cidade de Siriji, PE.
Dimensões:
Diâmetros de 419mm, 521mm e 622mm com espessuras de 3,00mm, 3,00mm e 4,75mm respectivamente.
Especificada conforme a norma ABNT-NBR 6323, com a camada média da galvanização de 70µm.
Figura 06: Adutora galvanizada por imersão a quente
Influência do pH no grau de agressividade do ambiente
Influência do pH
Zinco é um metal anfótero ( ou anfotérico – substância que pode se comportar como um ácido ou como uma base ), que significa que é solúvel em ácido (pH baixo) e também em águas de alcalinidade elevada (pH elevado).
Portanto não há praticamente perda de massa de zinco com pH entre 5,5 a 12,5.
Fatores como umidade, agitação, sólidos suspensos, água mole ou dura e a temperatura, todos afetam a formação da pátina ZnCO3 protetora. O zinco requer a exposição ao ambiente para a formação da película protetora por barreira, o ZnCO3.
O nível de acidez da água resulta da quantidade de dióxido de carbono dissolvido absorvido da atmosfera.
Água incrustante (água dura)
Águas duras são incrustantes, pois o grau de pureza reduz as características de incrustação.
Incrustação:
Relação entre as quantidades de cálcio (Ca), magnésio (Mg), sulfatos (SO3), carbonatos (CO4–), bicarbonatos, dióxido de carbono (CO2), temperaturas e total de sólidos dissolvidos (TDS) na água.
O aço galvanizado tem uma boa performance em águas duras.
Água mole
Contém menos do que 50 mg/l de carbonato de cálcio (CACO3) e ocorre a menor performance do aço galvanizado. Existe um Índice, denominado Langelier (LI) de escala de durezas da água indica que:
LI>2 = água altamente incrustante
LI<0 = água não incrustante
Temperatura
As reações químicas são aceleradas geralmente por aumento da temperatura (o dobro a cada 10°C)
Tubos em aço galvanizado por imersão a quente são utilizados para fontes de água quente contanto que a temperatura não exceda 65ºC.
Pressão
A pressão da água por si só não é um fator principal na corrosão do zinco. (influência indireta, tal como o aumento do oxigênio retido na água em temperaturas baixas).
Como especificar a galvanização por imersão a quente
Notamos que é importante ter conhecimento das características do aço a ser galvanizado quanto ao fato de ser reativo ou não.
Aço não Reativo
Formação das camadas intermetálicas de Zn Fe e na superfície uma camada de Zinco puro, com aparência brilhante.
Aço Reativo
Formação somente da camada intermetálica de Zn Fe espessa e frágil, com aparência cinza fosca, de crescimento rápido.
Se um revestimento de espessura maior que o especificado for solicitado para um determinado projeto, é necessário que o silício do aço seja requisitado na faixa de 0,15 a 0,25% ou o fósforo menor que 0,04% no processo da fabricação, se não haverá uma formação de rugosidade na peça ou um súbito crescimento da camada de zinco, ocasionando o desplacamento da mesma do substrato do aço. Este processo é denominado Efeito Sandelin, que ocorre quando o silício do aço se encontra abaixo de 0,15% ou acima de 0,25%.
Naturalmente recomenda-se a utilização das normas relacionadas ao processo. Destacamos abaixo as principais a serem utilizadas.
- ABNT NBR 6323:2016 Galvanização de Produtos de Aço ou Ferro Fundido-Especificação.
- ABNT NBR 7397: Produto de aço ou ferro fundido revestido de zinco por imersão a quente – Determinação da massa do revestimento por unidade de área – Método de ensaio.
- ABNT NBR 7398: – Produto de aço ou ferro fundido galvanizado por imersão a quente – Verificação da aderência do revestimento – Método de ensaio.
- ABNT NBR 7399: – Produto de aço ou ferro fundido galvanizado por imersão a quente Verificação da espessura do revestimento por processo não destrutivo – Método de ensaio.
- ABNT NBR 7400: – Galvanização de produtos de aço ou ferro fundido por imersão a quente – Verificação da uniformidade do revestimento – Método de ensaio.
- ABNT NBR 7414: Galvanização de Produtos de Aço ou Ferro Fundido por imersão a quente – Terminologia.
Sistema duplex: Aço galvanizado pintado
- ABNT NBR 9209 – Preparação de superfícies para pintura – Processo de fosfatização – Procedimento (para aços carbono e aços galvanizados).
- ABNT NBR 10253 – Preparo de superfície de aço carbono zincado para aplicação de sistemas de pintura – Procedimento.
- ABNT NBR 11297 – Execução de sistema de pintura para estruturas e equipamentos de aço carbono zincado – Procedimento.
- PETROBRAS N – 1021 F – Pintura de Aço Galvanizado, Aço Inoxidável, Ferro Fundido, Ligas não Ferrosas, Materiais Compósitos Poliméricos e Termoplásticos.
Barras de aço para concreto armado
- ABNT NBR 16300:2016 Galvanização por imersão a quente de barras de aço para armadura de concreto armado – Requisitos e métodos de ensaio.
Normalização para Tubos
- ABNT NBR 5580:2015 – Tubos de aço carbono para usos comuns na condução de fluidos – Especificação.
- ABNT NBR 5590:2015 VC2017 – Tubos de aço carbono com ou sem solda longitudinal, pretos ou galvanizados – Especificação.
- ABNT NBR 5597:2013 – Eletroduto de aço carbono e acessórios, com revestimento protetor e rosca NPT – Requisitos.
- ABNT NBR 5598:2013 – Eletroduto de aço carbono e acessórios, com revestimento protetor e rosca BSP – Requisitos.
- ABNT NBR 6591:2008 – Tubos de aço-carbono com solda longitudinal de seção circular, quadrada, retangular e especial para fins industriais – Especificação
- ABNT NBR 7008: 2012 – Parte 1 Chapas e bobinas de aço revestidas com zinco ou liga zinco-ferro pelo processo contínuo de imersão a quente Parte 1: Requisitos
- ABNT NBR 8261 – Tubos de aço-carbono, formado a frio, com e sem solda, de seção circular, quadrada ou retangular para usos estruturais
- ASTM A500 – Standard Specification for Cold-Formed Welded and Seamless Carbon Steel Structural Tubing in Rounds and Shapes
- BS 1387 (EN 10255 – DIN 2440 – NBR 5580) – Specification for screwed and socketed steel tubes and tubulars and for plain end steel tubes suitable for welding or for screwing to BS 21 pipe threads.
- ASTM A53 (NBR 5590) – Standard Specification for Pipe, Steel, Black and Hot-Dipped, Zinc-Coated, Welded and seamless.
- BS-EN-12502-3 – Protection of metallic materials against corrosion. Guidance on the assessment of corrosion likelihood in water distribution and storage systems. Influencing factors for hot dip galvanised ferrous materials
Custos
Atualmente os custos da Galvanização por imersão a quente são competitivos, quando comparados com outras tecnologias de proteção ao aço contra a corrosão.
É prudente que a avaliação dos custos seja baseada na vida útil especificada no projeto e não somete no custo inicial pois pode resultar em um custo recorrente, manutenção, mais alto e assim onerar o projeto ao longo do ciclo de vida útil do mesmo, conforme ilustrado na figura 07.
Figura 07: Custo inicial x recorrente
Concluindo, resumimos em 10 pontos, listados abaixo, para se utilizar o processo da galvanização por imersão a quente visando o aumento da visa útil do aço.
- Custo Extremamente Competitivo;
- Menor Custo de Manutenção;
- Durabilidade;
- Confiabilidade;
- Rapidez do Processo;
- Resistência do Revestimento;
- Cobertura Completa e Uniforme;
- Proteção Dupla do Aço Galvanizado;
- Facilidade de Inspeção;
- Extrema Versatilidade de Aplicações.
Acesse: www.icz.org.br
Otimismo em compasso de espera
Atingidas pela crise, as empresas especializadas em beneficiamento do aço começam a vislumbrar a retomada da demanda dos seus serviços
Por Ricardo Torrico
Desde que sai da usina até ser definitivamente processado em uma metalúrgica, a matéria prima aço passa por diversos tratamentos – solda, curvamento, tratamento de superfície, pintura, usinagem etc. –, executados por inúmeras firmas especializadas. Elas também não foram poupadas pela crise e viram a demanda dos seus serviços diminuir consideravelmente nos últimos anos. Depois desse período de sufoco, agora elas começam a sentir que a economia está voltando aos trilhos – embora num ritmo ainda lento.
Galvanização reaquecida
Dentre os tratamentos realizados no aço, destaca-se a galvanização ou zincagem, destinada a recobrir o ferro ou o aço com uma camada de zinco metálico, para fins de proteção contra os efeitos da oxidação. No Brasil, as empresas que oferecem esse serviço são representadas por duas entidades, a Associação Brasileira de Tratamento de Superfície (ABTS), que reúne as empresas especializadas nos processos de galvanização por eletrodeposição e banhos metálicos, aplicados em peças de pequeno porte, e o Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ, sigla mantida do nome original da entidade, Instituto de Chumbo e Zinco), onde se concentram as empresas especializadas na galvanização a fogo, utilizada em peças de maior porte.
Na avaliação de Roberto Motta de Sillos, secretário executivo da ABTS, depois de dois anos muito críticos para as empresas associadas à entidade desde meados de 2017 começou a haver uma retomada da demanda, com perspectivas de melhora para 2018. “Nos últimos anos, estimamos que tenha havido uma redução 60%, em média, na demanda dos serviços de galvanização entre as empresas associadas à ABTS. Mas, conversando com os fornecedores de produtos químicos e prestadores de serviços associados à nossa entidade, ficamos sabendo que já começaram a surgir novos pedidos. Mas, uma retomada mais consistente do mercado ainda deve demorar. O ideal seria que as empresas estivessem trabalhando em, pelo menos, dois turnos, mas elas ainda estão longe disso”, explica Roberto Motta. “Com crise ou sem crise, o principal fator que inibe o crescimento dos mercados de galvanoplastia e tratamento de superfície em geral é a pesada carga tributária que incide nesses serviços, que pode chegar a 40% dos preços que as empresas precisam cobrar.”
As empresas associadas ao ICZ sentiram o mesmo impacto sofrido por suas congêneres filiadas à ABTS. “A demanda de aço galvanizado manteve-se em constante crescimento até 2008, ficou estagnada até 2013 e, a partir daí, caiu até 2015, quando começou uma recuperação muito lenta, sendo que, em 2017, andou meio de lado”, explica o gerente executivo do ICZ, Ricardo Suplicy Goes.
Segundo Goes, o aço que os associados do ICZ processam é muito utilizado em peças estruturais de grande porte, como, por exemplo, as defensas instaladas em avenidas expressas ou rodovias. No caso destas, as tão esperadas concessões eram vistas como uma possível alavanca para as empresas galvanizadoras, mas, por causa das eleições deste ano, elas foram adiadas para 2019. “Outros setores que também significam alguma esperança para a galvanização são os de energia solar e eólica. No caso da energia solar, toda as estruturas de sustentação precisam ser feitas em aço galvanizado, inclusive para atender às normas internacionais. Nesse caso, porém, ainda existe uma grande concorrência do aço importado, utilizado pelas empresas que têm investido nesse setor”, relata o gerente executivo do ICZ.
De acordo com Goes, o produto importado costuma ter um preço menor, principalmente por causa da carga tributária que incide sobre o produto nacional. Ocorre, porém, que muitas vezes o produto de fora não vem com a qualidade exigida pelas normas. “A qualidade do aço galvanizado depende da espessura do zinco depositados na superfície, e o aço que vem da China muitas vezes vem com uma espessura muito baixa, mas o consumidor final nem sempre tem o conhecimento técnico para evitar isso. O ICZ já atuou junto aos órgãos do governo no sentido de coibir essa prática, mas tem sido difícil conseguir o êxito esperado”, explica Goes. “No mercado da construção civil, felizmente, não temos esse problema. Esse setor é o carro-chefe da galvanização e já está prevista uma retomada em 2018, mas o que temos visto no mercado é que alguns investidores ainda vão aguardar as eleições. Outro segmento de mercado é a agricultura, que usa aço galvanizado na construção de silos, e sua demanda tem crescido bastante.”
Sobre as perspectivas de crescimento da demanda de aço galvanizado este ano, Ricardo Goes afirma que existe uma relação direta entre a demanda interna do aço em geral e do galvanizado, o que faz com que o ICZ considere que, este ano, vai crescer os mesmos 4,1% que o Instituto Aço Brasil estima para as vendas das siderúrgicas no mercado interno. Mas o real potencial de crescimento do mercado interno está no baixo consumo de aço e, consequentemente, de aço galvanizado no Brasil. “Em 2017, o consumo per capita de aço foi de 92,3 kg, e de aço galvanizado, de 1,6 kg – ou seja, 1,7% do aço consumido no Brasil é aço galvanizado. No México, por exemplo, o consumo de aço é de 200 kg por habitante, e no Chile, 150 kg. E também no Chile, o consumo de aço galvanizado é de 6 kg por habitante. Nós vemos isso como uma oportunidade, pois mostra o quanto o mercado do Brasil ainda tem para crescer na aplicação do aço em geral, e do aço galvanizado, em particular”, completa o gerente executivo do ICZ.
Desempenho atrelado
Da mesma forma que a galvanização, os serviços de solda também têm uma estreita ligação com o mercado do aço. Dividido em dois segmentos – máquinas de solda e consumíveis –, o setor acaba tendo altos e baixos diretamente vinculados à demanda de aço. “Os consumíveis representam, em média, de 1% a 2% do aço a ser soldado. Ou seja, para cada 100 toneladas de aço, utilizam-se 2 toneladas de eletrodos. Isso significa que, se o consumo de aço cai, o de consumíveis também cai na mesma proporção”, explica Luiz Gimenez, professor pleno da Fatec-SP em Processos de Soldagem e Tecnologia de Fabricação. “Na área dos consumíveis, existem inúmeras marcas importadas e nacionais, como a Belgo Mineira e Gerdau, que têm sofrido a concorrência, principalmente dos produtos chineses. A China exporta ao Brasil aquilo que se convencionou chamar de ‘caixa branca’, ou seja, uma caixa de produtos sem marca, para que o importador possa colocar a sua própria marca. Vale lembrar que os consumíveis têm data de validade, que pode durar de seis meses a um ano. Ou seja, não podem ser estocados indefinidamente. Precisam ser comprados pouco antes de serem consumidos.”
Segundo Gimenez, as máquinas de solda tiveram seus custos muito reduzidos nos últimos anos, devido à importação de máquinas de diversas origens. “Aquelas com mais tecnologia são importadas da Europa e Estados Unido, e as mais simples e baratas vêm da China. Muitos fabricantes nacionais sucumbiram à concorrência das máquinas importadas e, como o mercado se reduziu, as empresas do setor estão se especializando em certas áreas. Mas esse fenômeno não é somente nacional, mas mundial: as empresas deixam de produzir certos itens e passam a importá-los. Essa especialização implicou diferentes rumos para cada segmento. O pioneirismo e experiência acumulada pelas empresas nacionais no atendimento às usinas de açúcar e álcool fez com elas continuassem fabricando e exportando para muitos países. Já, no sentido oposto, o aço inox soldado deixou de ser fabricado aqui e passou a ser importado da Europa.
Quanto às perspectivas sobre um aumento da demanda de consumíveis, Gimenez afirma que tudo vai depender da realização de investimento em novas estruturas produtivas de cada segmento de mercado, principalmente papel e celulose, petróleo e gás, e açúcar e álcool, que são grandes consumidores de aço, bem como de máquinas de solda e consumíveis. “O setor que tem impulsionado o segmento de solda, seja de máquinas ou de consumíveis, é a indústria automobilística. Há, inclusive, uma importante montadora que vai comprar 300 robôs para modernizar toda sua linha de produção, o que deve gerar um consumo maior de material”, completa o professor Luiz Gimenez.
Custos absurdos
Especializada em curvamento de tubos e sediada em São Paulo, a Tabano espera que a luz no fim do túnel se transforme na efetiva recuperação do mercado perdido nos últimos anos. “Em 2017, o mercado caiu em torno de 30%, em comparação com 2015 ou 2016. Nos últimos meses, temos recebido pedidos de orçamentos, mas, por enquanto, os clientes ainda não estão confirmando seus pedidos. A perspectiva de melhora existe, mas não para voltar ao que era antes”, afirma o diretor da empresa, Michelangelo Tabano. “Em minha opinião, a possível melhora do mercado não tem relação com as medidas tomadas pelo governo; eu acho que já estava na hora do mercado reagir. Lógico que as recentes medidas ajudam e são bem-vindas, mas eu acho que ‘quando se gasta um sapato, está na hora de comprar outro’. Mas eles vão comprar só um, não vão comprar dois. Mesmo assim, acredito que este ano o mercado vai melhorar. O que mais está inibindo a retomada são os processos de corrupção, que fazem o empresário esperar uma definição, para só então tomar decisões.”
O diretor da Tabano também explica que, com seu faturamento reduzido pela crise nos últimos anos, as empresas têm tido dificuldade cada vez maior até para fazer frente às despesas fixas, como aluguéis, impostos prediais e encargo trabalhistas. “Hoje em dia, as despesas fixas, como aluguel e IPTU, são um absurdo. Nós pagamos quatro mil reais por mês de IPTU, o que eu acho um absurdo, considerando que ocupamos um espaço de 600 metros quadrados. E no que se refere à mão de obra, quando o faturamento cai demais, não há outra solução senão dispensar funcionários, o que implica um custo muito alto, bem no meio de uma crise”, completa Michelangelo Tabano.
Leves sinais de recuperação
O mercado de fios industriais, cabos de aço, arames e trefilados tem registrado sinais positivos, mas ainda insuficientes para caracterizar uma recuperação consistente
Por Ricardo Torrico
Prestes a completar o segundo ano de mandato, o presidente Michel Temer tenta associar sua imagem à ainda tímida recuperação da economia. Avanços, de fato, houve, mas se, por um lado, o pior parece já ter passado, por outro, ainda não é possível saber se o fim da recessão vai se transformar numa real e consistente retomada do crescimento – principalmente do setor industrial, o mais abalado pela crise dos últimos anos. Esse sentimento generalizado também tem atingido as empresas que atuam na cadeia de beneficiamento do aço, representadas, dentre outras entidades, pelo Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferroso (Sicetel).
Segundo a entidade, quando os números do desempenho anual do setor estiverem consolidados, devem apontar um desempenho moderado em 2017, graças principalmente à recuperação que tem sido sentida a partir do segundo semestre. “Conforme os acompanhamentos que temos feito até agora, a participação das empresas associadas ao Sicetel nas vendas das siderúrgicas nacionais até cresceu, embora o consumo aparente desses produtos (relativos a aços planos e longos) tenha caído nos últimos anos. Os dados do IABr referentes a trefilados mostram que o consumo aparente caiu 2,2%, até setembro de 2017”, afirma o presidente do Sicetel, Daniele Pestelli.
Sinais positivos
Sobre as possibilidades de uma recuperação mais consistente a partir deste ano, Pestelli considera a recuperação da produção da indústria automobilística uma tendência positiva para a demanda dos produtos trefilados e laminados, que poderá se acentuar no decorrer deste ano. “No entanto, nós estamos preocupados com a perenidade desta recuperação tendo em vista o fim do programa Inovar Auto e a indefinição quanto ao lançamento do Rota 2030, o novo regime automotivo, destinado a substituí-lo”, explica o presidente do Sicetel. “Outra sinalização importante vem por conta de uma ainda tímida, mas constante, recuperação dos segmentos da construção civil e da linha industrial. O agronegócio também tem avançado muito, mas ainda não sentimos o reflexo, na mesma proporção, em relação aos nossos fornecimentos de insumos para esse setor, tais como telas hexagonais, arames farpados e ovalados. Apesar da atividade industrial paulista ter crescido 3,5% em 2017, em relação a 2016, segundo o Indicador do Nível de Atividade (INA), da Fiesp, isso se deu após três anos de forte queda. Ou seja, a indústria ainda está longe de recuperar plenamente a sua força, mas está caminhando nesse sentido.”
Na opinião de presidente do Sicetel, as medidas já implementadas pelo governo não têm sido suficientes para estimular a recuperação do setor industrial. “A meu ver, as ações do governo se assentam apenas pelo lado monetarista. Nenhuma de nossas bandeiras – conteúdo local, câmbio competitivo, política industrial com visão de cadeia produtiva e Reintegra mais robusto, entre outras – parecem estar no radar da equipe econômica. O que nós, de fato, precisamos é de um incremente nas linhas de crédito, mas com juros viáveis, e de mecanismos de financiamento com custo competitivo, para viabilizar investimentos na modernização da indústria nacional. A taxa Selic teve uma forte redução, mas o spread bancário permanece extremamente elevado. Isso também parece não estar no foco do governo, haja vista que se projeta uma redução forte dos recursos do BNDES”, questiona Pestelli. “Do ponto de vista político, o governo deve consolidar as reformas na legislação trabalhista, concluir o projeto de reforma da Previdência e iniciar de forma consistente uma reforma tributária. Do ponto de vista da indústria, o governo deve rever a política de aplicação do Reintegra, elevando o seu porcentual até 5%, com porcentuais proporcionalmente crescentes em relação à agregação de valor em cada elo da cadeia produtiva metalomecânica.”
Recuperação com restrições
Com uma luz ainda difusa no final do túnel, os empresários do setor, porém, não medem esforços para recuperar o tempo e o faturamento perdidos nos últimos anos. “Para os fabricantes de equipamentos, o mercado tem sido muito ruim desde 2014 e continuou sendo em 2017, em todos os setores. Em nosso caso, a demanda de equipamentos caiu 90% nesse período – ou seja, caiu para 10%! Isso ocorreu porque, quando a demanda de trefilados começa a cair, imediatamente também cai a demanda de equipamentos – e este é o último setor a se recuperar”, afirma Allan Werner Reichenbach, diretor da Reichenbach Equipamentos, fabricante de uma ampla gama de equipamentos, e prestadora de consultoria e serviços para a indústria de fios e cabos, localizada no município de Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo. “No entanto, no final de 2017, nós sentimos uma recuperação na demanda de equipamentos e, em janeiro deste ano, a concretização de negócios foi bastante surpreendente. Eu diria que essa demanda voltou ao nível de janeiro de 2015 e, nesse ritmo, acredito que a demanda pode voltar a 50% do que já foi em 2014.”
Segundo Allan Reichenbach, além dos efeitos da crise, o setor também é cronicamente afetado por uma grande carência de linhas de financiamento. “Nossos clientes querem desengavetar seus projetos de investimento, mas não existem linhas de financiamento voltadas para esse setor. Existe a linha Finame, mas, para um fabricante de máquinas e equipamentos, tem se tornado quase impossível cadastrar um produto no BNDES para obter esse financiamento. Se houvesse alguma instituição interessada em dar crédito aos trefiladores, esse mercado poderia crescer e se desenvolver muito mais rapidamente, até mesmo porque o setor está muito sucateado”, explica.
Na opinião do diretor da Reichenbach, se o final da crise se tornar mais consistente, os fabricantes de trefilados e, consequentemente, de equipamentos para o setor teriam um grande mercado a explorar – desde que estejam preparados para isso. “Quem, apesar da crise, conseguiu se estruturar financeiramente deve investir porque existe um grande mercado a ser explorado, carente de produtos com qualidade. Hoje, há muito equipamento obsoleto, funcionando com margens muito baixas. O problema, porém, é que os financiamentos hoje disponíveis não têm carência, o que faz com que o empresário conte apenas com seus próprios recursos para investir. Por isso, quem conseguiu investir ou fazer manutenção durante a crise, agora tem condições de conquistar o mercado dos concorrentes”, completa Allan Reichenbach.
Os sinais de recuperação são confirmados pela Schlatter do Brasil, fabricante de equipamentos de solda por resistência para diversos segmentos, com destaque para artefatos e cercas de arame, autopeças e siderúrgico, sediada no município de São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. Em 2017, o faturamento da empresa registrou uma melhora crescente em comparação com 2016, mas ainda num patamar inferior ao dos anos anteriores. “Existe uma perspectiva de crescimento em relação a 2018, mas que, nos próximos anos, dependerá muito da situação política do País após as eleições”, afirma Raphael Ferreira, gerente financeiro da empresa.
Entre os fatores que inibem a ampliação do mercado, Ferreira destaca a falta de confiança do empresariado em geral sobre o real crescimento da demanda, bloqueando assim a sua disposição para realizar novos investimentos. “É necessário realizar reformas mais profundas, como a da Previdência, para demonstrar ao mercado de forma clara de que o governo pretende corrigir a rota de gastos excessivos, controlando assim o déficit fiscal”, sugere o executivo da Schlatter.
A expectativa favorável também tem pautados as atividades da Oxiprana Química, empresa especializada na produção de produtos químicos utilizados na preparação das matérias primas utilizadas na fabricação de fios industriais, cabos de aço, arames e trefilados, sediada no município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. “O ano de 2017 foi um ano muito difícil para todos. A demanda ficou no mesmo patamar de 2016, mas em 2018 existe a possibilidade de ocorrer uma melhora”, avalia Renata Galvão, diretora da empresa. “Os galvanizadores têm períodos de altos e baixos. Na galvanização contínua – de arames –, o panorama está mais definido, mas, no caso do segmento de galvanização por imersão, a situação está ainda muito difusa. Mas todo esse panorama ainda não passa de uma perspectiva, sem nenhum resultado concreto.”
Na opinião da diretora da Oxiprana, a provável recuperação se deve ao fato de que os empresários começaram a se focar nos seus negócios, e muito menos às mudanças ocorridas no campo da política. “De alguma maneira, os empresários precisam agir para sobreviver. Existe uma grande vontade de investir, inclusive por parte de empresas de fora do País, mas isso está ocorrendo num ano eleitoral, em que ainda há muita coisa a ser definida. Por conta dessa incerteza, alguns dos nossos clientes não estão investindo e continuam trabalhando com aquilo que têm. O fato é que, hoje, é superdifícil manter um negócio no Brasil, seja para as pequenas ou grandes empresas”, completa Renata Galvão.















