domingo, setembro 20, 2026
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Enfrentemos tão somente o problema da siderurgia?

É fato, e ninguém discorda, que a indústria do aço no Brasil vive uma grave crise. Mas, e os demais setores da indústria de transformação que se utilizam do aço como seu principal insumo (máquinas, componentes, construção civil, automotivo, autopeças, eletroeletrônico, linha branca etc…)? Será que estes setores estão em situação melhor?

Claro que a resposta é não! Toda a indústria de transformação, assim como a do aço, vive uma crise sem precedentes. Do portão para dentro as empresas são competitivas, mas do portão para fora as consequências da falta de uma política industrial nos últimos anos, do Real supervalorizado, das altas taxas de juros, da complexa e pesada carga tributária que recai sobre a atividade produtiva e do Custo Brasil, por exemplo, somadas, agora, à estagnação da demanda no mercado interno, estão fazendo com que a indústria agonize.

Nos últimos 24 meses, assistimos aos setores supramencionados demitirem, juntos, mais de 750 mil trabalhadores, com uma queda assustadora de 40% no faturamento. A utilização da capacidade instalada desses setores despencou e está em torno de 50%, o pior nível dos últimos 40 anos.

Logo, não é difícil compreender que toda a indústria de transformação está na U.T.I. É preciso, sim, em caráter emergencial, um programa ágil e inteligente, que permita, no curto prazo, fazer com que toda a indústria de transformação, e não só a do aço, volte a operar em torno de 85% da sua capacidade.

Contudo, sendo a taxa de penetração de aços importados no Brasil baixíssima, da ordem de 10% (a título de ilustração, a taxa de penetração de importados no setor de máquinas é de 50%), parece-nos descabido propor a elevação da alíquota do imposto de importação para resolver, ou minimizar, os problemas enfrentados pelo setor siderúrgico.

As dificuldades enfrentadas por este setor são consequências de outros fatores, como o excedente de produção mundial, a baixa demanda para o produto no mercado interno, reflexo da forte queda nos investimentos e no consumo das famílias e da falta de competitividade do país que também afeta, sem exceção, todos os demais setores da indústria.

Estou convicto de que a elevação de alíquota, além de não resolver o problema da indústria siderúrgica, resultará em um efeito colateral extremamente danoso para os setores da indústria que se utilizam do aço, que terão os seus custos de produção aumentados, com consequente impacto na inflação e perda adicional de competitividade da cadeia de transformação, justamente em um momento que o país necessita de medidas que possam sinalizar para uma retomada dos investimentos.

É importante destacar que o custo do aço no mercado interno é muito superior ao praticado no mercado internacional. No atual estágio de deterioração da economia brasileira, medidas protecionistas não contribuirão para eliminar as assimetrias que tanto tiram a competitividade da indústria nacional de transformação.

Toda a indústria brasileira de transformação está agonizando e necessita de medidas emergenciais que possam contribuir para eliminar as distorções impostas pelo Custo Brasil, juros altos e alta carga tributária, no sentido de restabelecer a competitividade da economia brasileira.

De nada adiantará elevar a alíquota do imposto de importação do aço se não for gerada a demanda nos setores que se utilizam do aço. Em várias reuniões com o governo expusemos sugestões de medidas que possam estimular o aumento da produção e vendas de toda a cadeia de transformação do aço. Com um mercado interno deprimido, esse aumento de vendas, no curto prazo, só pode vir de um aumento das exportações, para o que sugerimos, dentre outras medidas, a volta imediata do REINTEGRA.

O remédio a ser utilizado para o setor siderúrgico não poderá significar o veneno que irá matar os demais setores da indústria. A já combalida indústria nacional de transformação não suportaria mais esse duro golpe!

Carlos Pastoriza

Presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ / SINDIMAQ

Marabá vai receber siderúrgica de 2 bilhões de dólares

O Governo do Estado do Pará e as empresas Vale e Cevital Groupe, esta última da Argélia, assinaram um protocolo de intenções que representa um novo passo no processo de implantação de uma siderúrgica em Marabá, no sudeste paraense. O documento foi assinado pelo governador do Estado, Simão Jatene, pelos presidentes das companhias, Murilo Ferreira, da Vale, e Issad Rebrab, da Cevital, e outras autoridades, como o senador Flexa Ribeiro e os deputados federais Beto Salame e Julia Marinho, o presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Márcio Miranda, secretários de Estado, deputados estaduais, prefeitos e representantes de entidades empresariais.

Marabá vai receber siderúrgica de 2 bilhões de dólaresO protocolo trata dos parâmetros que embasam o projeto de implementação de uma siderúrgica em Marabá, que vinha sendo estudado pela Vale e agora passará a ser conduzido pela gigante argelina. A empresa já havia investido cerca de US$ 300 milhões, incluindo gastos no desenvolvimento de engenharia, com vistas a construção da siderúrgica em Marabá. Entre os termos do acordo, a Vale coloca a disposição da Cevital, além de cooperação técnica, todos os estudos e projetos já elaborados, a transferência do terreno de sua propriedade que seria destinado a construção da Alpa, suprimento em bases comerciais de minério de ferro e serviços logísticos para o empreendimento, além das licenças ambientais do referido projeto. “A Vale irá ceder tudo isso sem ônus ao empreendedor. A mineradora está muito satisfeita em manter esse entendimento mútuo com o Governo do Estado e quer continuar a dar a sua contribuição para que esse grande empreendimento importante para a região se torne perene e reduza as disparidades sociais”, apontou o presidente da Vale, Murilo Ferreira.

Segundo a Cevital Groupe, a expectativa da empresa é que as obras para a instalação da nova siderúrgica comecem ainda este ano e entre em operação em 2019. A previsão é que os investimentos na siderúrgica somem o montante de 2 bilhões de dólares. Esse valor total também deve ser captado com outros investidores. Quando estiver em funcionamento, a siderúrgica de Marabá deve gerar 2,5 mil empregos diretos, além de seis a oito mil empregos indiretos. “Acreditamos que isso vai proporcionar uma reforma muito grande dentro do setor, em Marabá, através da geração desses empregos. O panorama social da cidade deve ser sensivelmente modificado com esses investimentos”, avaliou Paulo Hegg, representante da Cevital no Brasil, para quem o Pará é a porta de entrada do grupo no país.

Trilhos para ferrovias e aço em pó

A siderúrgica de Marabá terá capacidade para gerar 2,7 milhões de toneladas de aço com a produção de bobinas de aço, ferro gusa, “biletts”, “blooms”, entre outros. Issad Rebrad, presidente da Cevital Groupe, anunciou também que um dos produtos da siderúrgica de Marabá será a fabricação de trilhos para a estrada de ferro. A empresa é líder na Europa na produção de trilhos, com uma fábrica sediada na Itália e agora pretende ser a primeira a produzir trilhos na América Latina. “Marabá será conhecida, brevemente, como a principal fornecedora de trilhos para estrada de ferro de toda a América Latina”, garantiu Rebrad ao informar que a empresa também vai trazer para o Pará a tecnologia de aço em pó, que poucas empresas no mundo detêm.

A Cevital também vai disponibilizar aço com preços competitivos para empresas implantadas no polo metal mecânico que deve ser desenvolvido em Marabá, um sonho antigo da população. O prefeito de Marabá, João Salame, considerou o momento muito importante para o desenvolvimento do estado. “A verticalização das nossas riquezas é uma luta antiga da nossa sociedade, e que por vezes foi tratada de maneira inconsequente, idealista, sem nenhuma base com a realidade, e eu acho que agora nós estamos encontrando um caminho mais seguro. Parabenizo o governo do Estado do Pará pelo esforço que tem feito. Acho que o momento é de superar qualquer divergência e unir esforços”, reiterou Salame.

Marabá vai receber siderúrgica de 2 bilhões de dólares

O governador Simão Jatene reiterou a responsabilidade de todos os envolvidos em reportar para a sociedade todos os passos que estão sendo dados na direção da atração de empresas para o Pará, como é o caso da instalação da siderúrgica em Marabá. “O que nós não queremos é reproduzir o que se fez no passado, onde criou-se uma dramática expectativa de negócios que foi frustrada, machucando muitas pessoas. O que nos queremos é que esse projeto nasça entranhado não apenas nos desejos dos seus atores, mas no seio da sociedade”, ponderou Jatene, que pediu para que a população acompanhe cada um dos movimentos, entendendo as dificuldades de cada passo dessa implantação. “Isso certamente tornará o ambiente mais amistoso, cooperativo e lucrativo. É isso que nós estamos querendo. Que cada um saiba os passos que serão dados, especialmente neste momento de crise. O principal é que esse movimento não é fruto de mera vontade política, que sempre existiu, mas principalmente resultado de um esforço para tornar o projeto economicamente viável e atrativo aos investidores. O Estado deve criar condições para isso e foi o que buscamos fazer”, disse Jatene, que em maio de 2015 esteve na Argélia conhecendo a estrutura da Cevital, uma das maiores empresas do continente africano, com atuação em diversos ramos e segmentos.

Verticalização da produção

A atração de empresas interessadas em verticalização de matéria prima para o Pará faz parte da estratégica do Estado em verticalizar a sua produção. A agregação de valor é a maneira mais eficaz de desenvolver uma economia e, consequentemente, proporcionar um crescimento mais uniforme, pois gera mais receita, renda e emprego. Além disso, com produtos mais elaborados, é possível atingir também mercados mais exigentes.

Para o titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, que integrou a comitiva que esteve na Argélia, resultando no interesse da Cevital em investir no Pará, e conduziu as negociações entre a empresa e a Vale, esse projeto traduz os esforços que o governo vem empenhando em busca de diversificação e desenvolvimento da economia paraense. “O grupo argelino vem realmente ao anseio do Estado, que é de agregar valor a seus produtos e vários investimentos de acordo com as potencialidades de cada município. Com isso, vem a geração de milhares de empregos, e esse é o grande desafio em um momento em que o país já perdeu milhares de postos de trabalho. Sabemos que ainda existem muitos desafios pela frente, mas a ideia desse termo de acordo é justamente unir esforços para superá-los”, explicou o secretário.

O protocolo também prevê um contrato de fornecimento de minério de ferro pela Vale com preços mais competitivos para a siderúrgica, viabilizando economicamente a fábrica, com redução do custo de produção. A Vale irá ainda construir um ramal ligando a área da siderúrgica à Estrada de Ferro Carajás, reduzindo custos de infraestrutura para a siderúrgica. A Cevital também se comprometeu em fornecer aço mais barato para venda interna em Marabá. A iniciativa vai atrair mais investimentos para a verticalização da produção local. Já o Governo do Estado, além de intermediar a implementação da siderúrgica no sudeste paraense, firmou compromisso de garantir os incentivos fiscais para a atividade, conforme já previa lei aprovada na Alepa, e sancionada pelo poder Executivo Estadual, confirmando com a proposta a estratégia do governo estadual em criar mecanismos e priorizar as empresas que busquem verticalizar a produção em território paraense.

Otimização do Custo de Manutenção

Ouvimos muito a expressão “Vamos reduzir o custo de manutenção”, mas essa iniciativa pode ser mal sucedida acarretando um endividamento de imediato e um futuro aumento no custo. Falando de custo de manutenção industrial, temos que ser bastante criteriosos e cuidadosos nas atitudes e decisões, tanto empresas de grande porte, quanto pequenas empresas o custo de manutenção sempre é apresentado como um problema crônico que sempre é motivo de desalinhamento entre o staff das empresas.

Otimização do Custo de ManutençãoO melhor a se fazer é otimizar o custo, evitando acarretar possíveis colapsos dos equipamentos a longo prazo trazendo um grande descontrole, para isso, trabalhamos com alguns itens que podem nos direcionar nesta otimização:

1 – Avaliação no cenário atual: dados precisos são de grande relevância na avaliação e posicionamento da situação em que a empresa se encontra, é necessário levantar não apenas as questões futuras, mas é importante avaliar também o histórico da empresa, e em qual momento o custo passou a se tornar um problema, analisando possíveis causas raízes mediante a utilização de ferramentas de análise.

2 – A partir do ponto que conhecemos nosso cenário, sabemos onde, a causa, e em que momento perdemos o controle. É necessário sabermos o futuro financeiro da empresa caso não tomemos uma medida e o futuro financeiro a partir de algumas medidas, relacionadas abaixo, então devemos desenvolver juntamente com a engenharia alguns estudos preventivos quanto aos equipamentos:

• Mapeamento de Vulnerabilidades: O mapeamento de vulnerabilidades consiste em um trabalho de engenharia, onde realizamos uma inspeção e analise criteriosos dos pontos de vulnerabilidades dos equipamentos, pontuando de acordo com alguns critérios, quais seriam as principais e possíveis falhas/quebras, e provisionamos essas falhas/quebras dentro de um período mais extenso, com auxilio de estudos preditivos. Desta forma podemos ter mapeadas as intervenções e estimar as datas, com base nesta informação podemos planejar de forma segura, atuando juntamente com o setor de compras na negociação de valores e datas de entrega de materiais e serviços, também trabalhamos com pessoal de forma planejada evitando custos com horas extras e deslocamentos fora do horário de trabalho. Trabalhar preventivamente otimizamos os custos.

• LCC (Life Cycle Cost): o LCC é um estudo que visa a avaliação econômica para manter um equipamento durante toda a sua vida útil, incluindo os custos de aquisição, instalação, operação, manutenção e por fim a desativação ou descarte. A partir do LCC pode-se planejar as substituições no melhor momento, ou tempo ótimo, assim podemos ter o melhor desempenho do equipamentos sem que este venha a entrar em seu fim de vida útil em um momento inesperado, causando um custo elevado para substituição imediata.

• Desenvolvimento de Fornecedores e materiais: tanto o desenvolvimento quanto a nacionalização de novos fornecedores e materiais realizados de forma consciente e embasados em estudos e testes, são de grande importância para a otimização do custo, recomenda-se que este estudo seja realizado em conjunto com fornecedor, engenharia e compras, para que esteja totalmente resguardando tecnicamente, preferivelmente o fornecedor deverá apresentar trabalhos ou cases de sucesso em outros clientes para que o estudo seja mais efetivo, podendo ser feitos alguns testes e avaliações deste fornecedor.

• Análises de Falha: o processo de analise de falha se torna muito importante para a otimização do custo, normalmente um dos gatilhos para disparar uma analise de falha é o elevado custo daquela falha, ou, o elevado custo somadas varias falhas da mesma natureza. O objetivo de uma analise de falha é estudar e identificar a causa raiz evitando que ela ocorra novamente no mesmo equipamento e ampliando as medidas a outros similares, considerando o atendimento ao objetivo da analise de falha inevitavelmente estaremos otimizando o custo, uma falha acarreta uma atuação corretiva, que é de conhecimento que gera maiores custos. Também podemos implantar uma Analise de Acidente Material, que teria os mesmos procedimentos da Análise de Falha, mas seria voltado para os acidentes materiais, que normalmente não tem tratativa e estes apresentam custos elevados.

• Programa de Melhorias: algumas empresas adotam esse programa com outras nomenclaturas, ele é de grande relevância ao se analisar o Custo Evitado de algumas sugestões e projetos, se tem um custo na maioria das vezes pequeno na implantação e um Custo Evitado considerável ao logo do tempo, sugestões vindas do chão de fábrica deverão ser sempre bem vindas, entendo que, é o chão de fabrica que está lidando com o operacional e o funcionamento dos equipamentos e processos no dia a dia.

• Controles efetivos e preventivos: alguns controles na manutenção industrial são essenciais, mas raramente os vemos sendo efetivos, quando existem não estão atualizados, são eles:

• Controles de subconjuntos e sua vida útil;

• Controle de equipamentos em reparo externo;

• Controle de substituições ou trocas de subconjuntos em equipamentos;

• Entre outros.

3 – A manutenção conhece o custo? Essa pergunta deve ser afirmativa não apenas para o Staff, mas para todos os mantenedores, eles devem ter conhecimento de que ao trocar um material ou peça desnecessários em um equipamento estão promovendo um gasto de tal valor para a empresa, deve-se instigar a cultura de conhecimento dos valores de cada item no pessoal de campo e ao mesmo tempo, como poderia ser otimizado o custo de forma eficiente.

4 – O planejamento de manutenção conhece o custo da programação semanal? Considerando os conceitos acima para os mantenedores, os planejadores/programadores, enfim o planejamento de manutenção deve conhecer o custo da programação semanal e trabalhar em uma programação de médio e longo prazo considerando os trabalhos de engenharia citados acima é plausível essa programação de forma bem eficiente e assertiva. Com esses dados financeiros da programação e os estudos de engenharia a direção ou gerencia da empresa tem como tomar decisões de forma embasada.

Aplicadas às orientações basta aguardar e monitorar os resultados, o custo de manutenção será otimizado de forma inteligente a médio e longo prazo trazendo sustentabilidade da empresa, em paralelo pode-se trabalhar com outros setores como o setor de compras e RH, instigando neles a elaboração de trabalho e estudos que contribuam para que a empresa como um todo tenha seu resultado favorável.

(*) Fernanda Avelar é Gerente Estratégico da CSGM Service & Consulting (www.csgm.com.br )

 

Indústria 4.0 é destaque da Fabtech 2015

A indústria 4.0 recebeu uma atenção especial da FABTECH 2015. A Feira Industrial de Soldagem, Corte e Conformação de Metais aconteceu em novembro de 2015, em Chicago (EUA) e foi organizada pela Associação Americana de Soldagem (AWS) em conjunto com outras associações industriais. Importantes fabricantes de equipamentos mundialmente conhecidos, como Bystronic, Trumph, Amada, entre outros, apresentaram soluções para o desenvolvimento da indústria 4.0, onde todo o sistema produtivo, administrativo e financeiro, é integrado para fornecer as melhores ferramentas de manufatura integradas em um único sistema.

Indústria 4.0 é destaque  da Fabtech 2015Na área de soldagem, os fabricantes apresentaram desenvolvimentos de sistemas com tochas especiais para o processo MIG-MAG, como a soldagem em chanfro estreito, troca rápida de bico de contato em rosca, espiral com baixo coeficiente de atrito, difusores com insertos de cobre para melhorar o contato elétrico, bicos de contatos especiais de longa duração e bocais especiais para acessos difíceis. Essas soluções são principalmente para aplicações em automação e robótica, que por sua vez teve grande destaque em diversas aplicações e processos com células flexíveis para a produção de peças seriadas e não seriadas.

Destaque também para os simuladores de soldagem virtual, utilizados para treinamento, onde além do soldador treinar com soldas virtuais, ele pode executar a mesma sequencia que treinou numa solda real, recebendo pontuação e gravando todos os seus movimentos para ser avaliado e corrigido. Pode-se observar, nas soluções na aspiração de fumos de solda e corte, diversos modelos de equipamentos, com os equipamentos tipo fixo ou móvel e também sistemas inteligentes com sensores para acionar a aspiração.

Houve demonstrações de sistemas de dobra CNC com manipulação de chapas por robô, utilizando do sétimo eixo para movimentação longitudinal. As máquinas conhecidas como metaleiras, onde é possível cortar, dobrar puncionar utilizando-se um único conjunto de motor redutor, tiveram grandes avanços. Geralmente, utilizadas em empresas de pequeno porte do segmento metal mecânico, as metaleiras estão com dimensões menores e maior capacidade de processamento, com troca rápida de ferramental e maior durabilidade.

Soluções no corte 3D

Indústria 4.0 é destaque  da Fabtech 2015Também participaram da feira diversas empresas de pequeno porte com os mais variados produtos para atender o seguimento metal mecânico.

Além da competição entre os jovens soldadores, a feira também teve seu lado artístico, onde os visitantes puderam observar esculturas em aço tubular soldadas.

 

Luiz Gimenez Jr da www.infosolda.com.br, participou do evento em novembro/2015.

E la nave va

O Brasil pode atualmente ser comparado a um navio. Um grande navio à deriva por causa dos erros de navegação cometidos pela “capitã e seus imediatos”. Os passageiros pagam caro pela passagem e são pessimamente atendidos pela tripulação, que é muito maior do que deveria ser. Os ratos saíram do porão e estão passeando livremente pelo convés. As caldeiras deixaram de funcionar a pleno vapor. O pior é que a comandante e os seus imediatos não tem a menor noção, competência e senso de urgência para colocar o navio no rumo correto.

Uma verdadeira tragédia é o contínuo processo de redução da produção industrial no Brasil. O PIB industrial encolheu 8,3% em 2015. No Paraná a retração foi de 9,6%. Até a indústria de alimentos teve um desempenho negativo de 2,3%. Embora o Brasil seja um celeiro de jovens e criativos empreendedores, falta confiança para investir num país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Se somarmos todos os tributos chegarão a mais de 100 tipos diferentes. Na Europa, o tempo gasto por uma empresa para administrar os seus impostos é de 260 horas por ano. Enquanto aqui são necessárias pelo menos 2.600 horas, dez vezes mais!

O custo decorrente de uma legislação trabalhista totalmente ultrapassada, uma infraestrutura insuficiente para atender as necessidades da indústria e das reformas fiscal e tributária “tão faladas”, porém, sempre adiadas, dificultam ainda mais a retomada do crescimento industrial.

Pode-se acrescentar a burocracia descomunal, lenta, ineficiente e desnecessária que faz com que o custo transacional no Brasil seja altíssimo. Não há luz no fim do túnel, por enquanto.

Mesmo que o Brasil tenha trabalhadores qualificados, a afirmação de que o custo da mão de obra seja um fator competitivo importante não se confirma. O custo de um empregado na indústria chega a mais de 140% do seu salário nominal. Diante disso, enquanto não reduzirmos significativamente os encargos sobre a folha de pagamento não seremos competitivos.

É essencial que a produtividade da indústria seja aumentada por meio da qualificação dos trabalhadores e pelo investimento em máquinas mais modernas e eficientes, afinal o nosso parque industrial está parcialmente sucateado.

O fato é que não podemos competir com outros países em igualdade de condições, quanto mais gerar valor econômico agregado. O custo da energia elétrica (kWh) no Brasil, por exemplo, é um dos maiores do mundo. Diante disso, segmentos eletrointensivos como os de alumínio, papel e celulose, petroquímicos e siderúrgicos são duramente afetados. A elevada participação da energia elétrica no custo total da produção inibe consideravelmente os investimentos em novas fábricas no país.

Estamos novamente diante de grandes desafios que precisam ser tratados com urgência se não quisermos ser o eterno país do futuro. Em curto prazo, precisamos encaminhar o ajuste fiscal para combater o déficit público que em 2015 atingiu mais de R$ 114 bilhões. A inflação na casa dos dois dígitos também assusta e corrói a renda de milhares de brasileiros que estão perdendo o emprego. Assim como a alta taxa de juros, que precisa ser reduzida consideravelmente se quisermos voltar a crescer de maneira sustentável e com os investimentos necessários.

O Brasil é um país com condições excepcionais para crescer, é muito maior do que qualquer crise, mas deve ser “repensado” para que daqui algumas décadas seja esse Brasil que almejamos. Precisamos fazer a nossa lição de casa.

Enquanto isso lá em Brasília, la nave va, (…) fazendo água!

*Andreas Hoffrichter é Diretor da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha (AHK PR), Cônsul Honorário da Alemanha em Curitiba e Conselheiro de Administração certificado pelo IBGC.

Brasil terá demonstração de manufatura avançada durante a Feimec 2016

Capitaneado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), projeto envolveu mais de 20 empresas e entidades. Linha de produção inteligente, com 300 metros quadrados, será uma exclusividade da feira, que acontece de 3 a 7 de maio, em São Paulo.

Conhecida também por Indústria 4.0, indústria do futuro e fábrica inteligente, a manufatura avançada está atualmente no centro do debate mundial sobre produtividade e inovação dos meios de produção. Considerado a quarta revolução industrial (antecedida pela mecânica, elétrica e digital), o novo paradigma representa a interação, autônoma e inteligente, entre sistemas de fabricação automáticos complexos.

A combinação de modernos recursos de automação industrial com os avanços dos sistemas de computação, informação e comunicação via internet, permite que linhas de montagem e produtos troquem informações entre si ao longo do processo, ao mesmo tempo que diferentes unidades fabris tomam decisões sobre produção, compras e estoques sem interferência humana.
O Brasil terá a primeira e exclusiva demonstração de manufatura avançada na Feimec – Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos, que acontece de 3 a 7 de maio, em São Paulo. O projeto, capitaneado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), envolveu mais de 20 empresas e entidades ligadas aos mais diferentes setores, como automação e controle, robótica, mecatrônica, comunicação e internet (internet das coisas), virtualização (virtual twin / comissionamento virtual) e vários outros (veja relação abaixo).

A realização da manufatura avançada durante a feira foi viabilizada pela Abimaq, que agregou os muitos setores envolvidos, firmou as parcerias e buscou o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI.

A Abimaq integra o Grupo de Trabalho formado pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que visa transformar a manufatura avançada numa política de Estado, da mesma forma que acontece nos países mais adiantados nesse tema, como Alemanha e Estados Unidos.

Fábrica inteligente
Durante os cinco dias da Feimec, a fábrica inteligente produzirá cerca de 250 unidades customizadas de um acessório para escritório que une as funcionalidades de um porta-lápis e um porta-celular. Convidados, parceiros das empresas participantes, empresários, engenheiros, técnicos e outros visitantes da feira receberão um QR-Code via e-mail, que será lido a partir da tela do seu smartphone no início da linha de produção montada no pavilhão.

Em seguida, o “cliente” seleciona suas preferências em relação às cores e à disposição dos lápis no acessório. Ele não precisa informar o modelo de seu smartphone para definir a largura do suporte, pois o sistema faz essa identificação automaticamente no momento da leitura do QR-Code.

A fábrica inteligente vai ocupar uma área de 300 metros quadrados do pavilhão, onde os visitantes poderão acompanhar ao vivo todos os detalhes do processo de produção.

Empresas envolvidas no projeto de Manufatura Avançada da Feimec 2016
Abb Ltda.
Autodesk Do Brasil
Baltec Maquinas Automação
Chempoxy
Festo Brasil Ltda.
Hexagon Manufacturing Intelligence
Indústrias Romi S/A.
Kuka Roboter Do Brasil Ltda.
Mck Automação Indústrial Eireli – Epp
Mult-E Engenharia Digital
Nc Systems
Phoenix Contact
Plmx Soluções
Pollux Automation
Press Mat
Sick
Siemens Ltda.
Smc Pneumáticos Do Brasil Ltda
Stäubli São Paulo
Westcon Instrumentação Industrial Ltda

Entidades que forneceram apoio institucional e operacional ao projeto de manufatura avançada na Feimec 2016
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq / IPDMAQ
Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha – VDI
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES
Instituto Mauá de Tecnologia – IMT
Instituto Senai de Inovação Metalmecânica

Conteúdo
Para adicionar ainda mais valor à demonstração, a manufatura avançada será tema do seminário “Indústria 4.0: Aplicação na Prática” durante a Feimec 2016. O conteúdo apresentando por palestrantes nacionais e internacionais vai tratar de temas como: O futuro dos processos industriais no Brasil, Alemanha e Estados Unidos; Manufacturing Execution System – MES; gerenciamento de ciclo de vida do produto, sistema de gerenciamento de informações que integra dados, processos e sistemas de negócio – PLM, Simulação de Processos por Comissionamento Virtual; Internet das Coisas; Big Data; Espaço Físico Cibernético; Comunicação Máquina-Máquina; a individualização de produtos; Manufatura Aditiva; e Realidade Aumentada (programação sujeita a alterações).

Serviço:
Feimec – Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos
(www.feimec.com.br)
De 3 a 7 de maio de 2016
No São Paulo Expo Exhibition & Convention Center