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O que falta para o Brasil liderar a transformação de matérias-primas

A união entre crescimento industrial, inovação tecnológica e sustentabilidade, em um movimento em conjunto entre empresas e governo, é apontada como possível caminho por especialista

Por Victor Gois

A indústria metalúrgica brasileira é um multiplicador da economia, representando cerca de 3,1 % do PIB Industrial, no entanto, apesar de prolífico, o país ainda não lidera a transformação de matérias-primas. Em um contexto em que a escalada de conflitos globais provoca aumento dos preços de insumos estratégicos e custos logísticos, o desenvolvimento interno torna-se imprescindível.

“Com o desenvolvimento interno dos segmentos siderúrgico e metalúrgico, a indústria nacional se torna mais competitiva e menos volátil, reduzindo possíveis dificuldades relacionadas a déficits produtivos, resultantes de cadeias globais instáveis. A redução da dependência da importação facilita todo planejamento industrial, principalmente quanto a margens de preços de produtos”, explica Laís Leoncini, Gerente de Negócios da consultoria multinacional FI Group.

Laís também acrescenta que a redução do consumo de produtos importados poderia impedir que mais reduções nos investimentos na indústria nacional fossem feitas, dificultando paralisações e encerramento de empresas do setor, bem como consequentes demissões em massa. Um cenário como este afeta toda a socioeconomia do país.

O potencial é tão alto quanto a demanda. “O Brasil possui abundância quando se trata de minério de alta qualidade de matrizes renováveis, e a demanda interna exige uma cadeia metalúrgica diversificada, com bases industriais que buscam constantemente crescimento de infraestrutura e evolução tecnológica.”, afirma Laís.

A combinação entre estratégias econômicas e sustentáveis é ideal. Sustentabilidade, responsabilidade socioambiental e descarbonização são algumas das tendências estratégicas possíveis para o país, considerando o destaque em metais verdes e energia renovável. Automação, manufatura digital e inteligência artificial são outros caminhos que têm sido aplicados na indústria ao redor do mundo e que é capaz oferecer a eficiência e a produtividade que o setor precisa.

Entre as ações que já estão sendo feitas agora, Laís destaca o incentivo fiscal à Lei do Bem, que concede benefícios fiscais a empresas que investem em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (PD&I) , a principal delas. Ao contemplar projetos como aumento de eficiência energética em processos metalúrgicos, desenvolvimento de novos materiais para eliminação de insumos importados e melhorias de processos para descarbonização, por exemplo.

“O ponto chave a ser considerado é que a Lei do Bem é um incentivo autoliquidativo que reduz o custo real do projeto, podendo ser um acelerador para aqueles que já seriam elaborados. Ou seja, a Lei do Bem proporciona economia mesmo em um cenário de incerteza de sucesso, além de motivar a aprovação prévia de orçamento para uma iniciativa potencial.”, explica Laís.

Instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) também são destacadas como outras opções para financiamento de projetos PD&I que podem servir para o desenvolvimento de inovação, infraestrutura e sustentabilidade do setor.

Embora ressalte a complexidade de estabelecer um prazo para a maturação da transformação industrial de matérias-primas no Brasil, Laís afirma que o país pode se tornar uma referência mundial até 2050, desde que haja um movimento conjunto entre empresas e governo, destacando a aceleração da descarbonização e do aço verde, criação de políticas públicas e fomento a financiamentos, como pilares importantes para a desenvolvimento de tecnologias e redução de importações.

Mais informações: www.fi-groupbr.com/pt

 

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