segunda-feira, setembro 21, 2026
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Indústrias brasileiras que pretendem investir em 2020 miram aumento de produtividade com tecnologia, revela pesquisa

Ao invés de abrir novas plantas ou ampliar o parque industrial, gestores devem buscar soluções que otimizem a produção, comenta especialista

O percentual de indústrias que pretendem investir neste ano é o maior desde 2014, ano da deflagração da crise econômica. Naquele período, 85% dos empresários do setor relataram que iriam aportar novos recursos, enquanto em 2020, 84% das empresas afirmam que pretendem investir na operação, segundo a pesquisa “Investimentos na Indústria”, realizada anualmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado mostra a recuperação do otimismo no setor industrial, uma vez que o índice deste ano é 4% superior a intenção relatada em 2019.

Entre os principais objetivos para 2020, o destaque fica por conta da melhoria do processo produtivo. De acordo com a pesquisa, 36% das empresas apontam que o aumento de produtividade é o grande alvo quando pensam em investir – percentual semelhante ao previsto no ano passado. Na sequência, 23% dos gestores assinalaram que pretendem ampliar a capacidade da linha produtiva.

Matheus Pagani, CEO da Ploomes: “A sinalização da pesquisa é importante para o mercado, porém o investimento precisa ser realizado de maneira racional”.

Para Matheus Pagani, CEO da Ploomes, empresa que detém plataforma de CRM voltada às indústrias e distribuidoras, a sinalização é importante para o mercado, porém alerta sobre o risco envolvido para algumas empresas do setor. “Antes de contratar mais mão de obra e atualizar seu parque de máquinas, os líderes precisam ter evidência concreta sobre sua real demanda em 2020. Essa previsão jamais pode ser feita pelo chão de fábrica. A orientação deve ocorrer via inteligência administrativa do departamento comercial”, explica.

Nesse contexto, as plataformas de CRM (Customer Relationship Management ou gestão de relacionamento com o cliente, em português) podem ser a ponte da comunicação entre a administração e a produção da indústria, gerando previsão de demanda por meio de relatórios de venda em primeira mão. “Ao acompanhar o ciclo completo de vendas de um produto em tempo real, o departamento comercial das indústrias pode fornecer informações valiosas para uma produção Just-in-Time, economizando recursos financeiros e fornecendo soluções personalizadas que fidelizem seus clientes mais estratégicos”, argumenta Pagani.

Dados coletados pela consultoria Gartner revelam que o mercado global de CRM cresceu 15,6% em 2018 – último dado disponível. Com movimentação acima de US$ 48 bilhões, os softwares de gestão de relacionamento com o cliente já lideram o segmento corporativo, superando o ERP. A previsão é de que o faturamento atinja US$ 80 bilhões até 2025 com a tendência de centralização das operações das empresas em torno do cliente (Customer Centric). “O setor industrial já entendeu a relevância de incorporar um CRM em sua gestão. Algumas indústrias começam a usufruir do efeito cascata trazido pela inteligência comercial, uma vez que eles aumentam a performance dos vendedores e, consequentemente, elevam os ganhos financeiros com a maior recorrência de vendas dentro da carteira de clientes. Por isso, antes de investir na modernização da produtividade, é de suma importância observar esse detalhe”, conclui o CEO da Ploomes.

Acesse: www.ploomes.com

TRUMPF apresenta nova impressora 3D para a área médica na Formnext

O compacto sistema de impressão TruPrint 2000 é igualmente adequado para a indústria médica-odontológica, confecção de moldes e ferramentas. Ele garante a fabricação de implantes personalizados de forma mais rápida e sem complicações, com os mais altos padrões de produtividade e qualidade

O compacto sistema de impressão TruPrint 2000 é igualmente adequado para a indústria médica-odontológica, confecção de moldes e ferramentas. Ele garante a fabricação de implantes personalizados de forma mais rápida e sem complicações, com os mais altos padrões de produtividade e qualidade

A empresa alemã de alta tecnologia TRUMPF lançou uma nova impressora 3D na Formnext, de Frankfurt, principal feira internacional de manufatura aditiva. A TruPrint 2000 é uma máquina que pode ser utilizada na engenharia médica e em outras aplicações que exijam altos padrões de qualidade. Os especialistas da TRUMPF reformularam o sistema de fluxo de gás inerte, melhorando, assim, a qualidade das peças impressas. Com ela, o operador pode remover o excesso de pó das peças fabricadas na própria câmara, em vez de retirá-la em uma estação separada, como era feito antes. Esse procedimento é mais fácil e economiza tempo ao lidar com as câmaras de construção menores em impressoras 3D, como a TruPrint 2000. A máquina recém-projetada processa o pó de impressão em um ambiente de gás inerte, o que evita a infiltração de contaminantes no circuito de pó. Essa é uma vantagem importante para os dispositivos médicos sensíveis e similares.

“Com a TruPrint 2000, estamos mostrando que a TRUMPF coloca em primeiro lugar as necessidades das indústrias focadas em AM (manufatura aditiva) – ou seja, dos segmentos aeroespacial, automotivo, fabricação de ferramentas e moldes e, principalmente, as indústrias da área médica e odontológica. A TruPrint 2000 permite que os fabricantes aproveitem completamente os benefícios da manufatura aditiva”, diz Klaus Parey, diretor administrativo da área de Manufatura Aditiva na TRUMPF.

Maior produtividade com baixo custo

A TruPrint 2000 apresenta o design Multilaser. Dois lasers de 300 watts trabalhando em conjunto na câmara de construção da impressora 3D para, assim, aumentar a produtividade do sistema. Seguindo a mesma abordagem da TruPrint 1000, os engenheiros de desenvolvimento da TRUMPF reduziram o diâmetro focal do laser para 55 micrômetros a fim de imprimir componentes com superfícies mais suaves, qualidade aprimorada e estruturas de grade complexas. A TruPrint 2000 funciona perfeitamente na manufatura de peças de titânio, um material muito utilizado em dispositivos médicos. As empresas não precisarão mais de uma estação de retrabalho separada, e, com isso, acabam economizando. “O novo design da impressora traz os benefícios da produção enxuta para os usuários. Requer menos complementos, permitindo um investimento inicial menor para as empresas que desejam ingressar na AM”, diz Florian Krist, gerente de produtos da área de Manufatura Aditiva na TRUMPF.

Monitoramento digital integrado

Os usuários desfrutam dos benefícios do monitoramento automatizado da qualidade da cama de pó e da poça de fusão. Caso haja um erro, o sistema notifica o operador, que pode corrigir esse erro imediatamente. Outro grande benefício é o rastreamento da documentação de ponta a ponta, que confirma a qualidade do processo de impressão. Esse é um pré-requisito essencial para a fabricação de dispositivos médicos por manufatura aditiva.

Fabricando implantes de forma rápida

A TRUMPF já usou a nova máquina para imprimir espaçadores intervertebrais, que são implantados para melhorar a estabilidade da coluna vertebral. Elas podem ser inseridas como um espaço entre duas vértebras, para restaurar a altura natural do segmento vertebral. O pequeno diâmetro focal do laser se presta à fabricação das estruturas complexas desse tipo de implante e o tecido ósseo saudável adere bem a essas estruturas. A nova TruLaser 2000 leva apenas 24 horas para produzir 19 implantes espinhais.

Mas a impressora não é voltada apenas para as empresas de engenharia médica; também é uma excelente opção para aplicações dentárias e fabricação de ferramentas e moldes. Com 300 watts de potência laser, não há problemas em manusear materiais padrão, como ligas de cromo-cobalto. É possível confeccionar rapidamente moldes dentários, assim como peças moldadas por injeção com canais de refrigeração internos complexos. A TruLaser 2000 fornece uma maneira mais precisa de controlar a temperatura das ferramentas durante a produção, o que as torna mais duráveis e melhora a qualidade da usinagem de peças fundidas. Isso também reduz o tempo de ciclo das ferramentas impressas e aumenta a produtividade.

Acesse: www.trumpf.com

Inteligência Artificial vai mudar a regra do jogo

Estudo aponta que a América Latina tem potencial para se transformar em hub de IA e geração de novos talentos nos próximos anos

Por Marco Stefanini 1

Marco Stefanini

Há quem ame e odeie a Inteligência Artificial. Muitos por convicção, outros porque veem na tecnologia uma ameaça aos empregos e à forma como vivemos hoje, alguns por desconhecimento sobre o potencial do mercado de IA.  O fato é que não dá para ignorar o crescimento da Inteligência Artificial, que deve gerar, em 2021, quase US$ 3 trilhões de valor para os negócios e 6,2 bilhões de horas de produtividade em todo o mundo, segundo o Gartner.

Para alguns especialistas, as plataformas de inteligência cognitiva são vistas como símbolo de esperança para solucionar questões mais complexas nas áreas de educação e saúde. É difícil pensar em um setor que não vá demandar funcionalidades da IA para gerir dados que possam ser utilizados de maneira estratégica na tomada de decisões.

O ceticismo inicial em relação ao uso da tecnologia cedeu espaço para discussões mais profundas sobre a evolução da IA e de que forma ela impactará as pessoas e os negócios nos próximos anos. O tema tem se tornado tão relevante que norteou discussões do Choose France, evento organizado pelo governo francês com o objetivo de atrair investimentos, e do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Eu mesmo tive a oportunidade de participar do lançamento do relatório The Global Talent Competitiveness Index 2020 (GTCI) do INSEAD, que este ano abordou o talento global na era da Inteligência Artificial.

Os dados do estudo apontam que a IA representa uma oportunidade real para ajudar várias regiões a iniciar um novo ciclo de crescimento e eficiência. A América Latina, por exemplo, tem potencial para se tornar um hub de talentos em Inteligência Artificial e soluções digitais nos próximos anos. O relatório do INSEAD, uma das maiores e mais prestigiadas escolas de negócios do mundo, avalia a aplicação da tecnologia globalmente e revela os avanços na região. Entre os 100 países mais bem preparados para utilizar a Inteligência Artificial, 15 são na América Latina, com destaque para o México, Uruguai, Chile e Brasil.

Se de um lado existe o desafio de desenvolver talentos especializados em IA, de outro há um crescimento – em alguns locais mais tímido – do número de jovens entrando nas universidades. Com uma população estimada em meio bilhão de pessoas nos cinco dos mais promissores países em digital sourcing – Brasil, México, Colômbia, Peru e Argentina -, a região conta com um espírito empreendedor nato, que pode alavancar o interesse das pessoas por STEM (sigla em inglês para Science, Technology, Engineering e Mathematics) e, consequentemente, por programas de transformação digital.

Através de parcerias com universidades e de investimentos contínuos, as empresas poderão contar não apenas com profissionais capazes de executar projetos com Inteligência Artificial, mas também com pessoas altamente qualificadas para trabalhar com pesquisa e desenvolvimento.

Este novo cenário refletirá diretamente no desempenho do PIB. A pesquisa “O impacto da IA no mercado de trabalho, realizada pela consultoria americana DuckerFrontier a pedido da Microsoft, aponta que a Inteligência Artificial pode dinamizar e aumentar a eficiência da economia brasileira. As simulações mostram que a adoção máxima de IA em vários segmentos pode aumentar a taxa composta anual de crescimento (CAGR) do Produto Interno Bruto (PIB) para 7,1% ao ano até 2030, considerando um cenário de máximo impacto pelos benefícios da IA. Esse é um aumento superior à projeção de 2,9% de crescimento do PIB feita pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no mesmo período.

Com a formação de novos talentos e a ampliação de projetos com base em IA, algumas empresas poderão utilizar as tecnologias digitais no modelo nearshore, ou seja, entre regiões próximas ou em países vizinhos, com línguas, fusos horários e culturas semelhantes. Isso significa que companhias de origem latino-americana têm condições de atender bem o mercado americano, da mesma forma que fornecedores da Europa Oriental podem suprir a demanda por serviços no lado Ocidental. Quando estão em fusos horários parecidos, os profissionais interagem mais e melhor, ampliando a produtividade.

No capítulo que assino no relatório do INSEAD, em parceria com Fábio Caversan, diretor de pesquisa cognitiva da Stefanini Estados Unidos, destacamos que existem profissionais de nível sênior na América Latina que podem ser retreinados com foco na IA. Para isso é necessário investir em educação, trazendo uma abordagem mais humana para o debate.

Também é fundamental compreender o alcance da Inteligência Artificial, possíveis mudanças no comportamento humano e a lógica dos algoritmos para que o governo e a iniciativa privada possam construir uma estratégia nacional de IA, que prime pela ética e seja capaz de transformar a sociedade do futuro. Pelas discussões acompanhadas em Davos, não restam dúvidas de que o melhor da Inteligência Artificial está por vir e que esta tecnologia, atuando em conjunto os humanos, mudará a regra do jogo muito antes do que imaginávamos.

Acesse: www.stefanini.com

Inteligência artificial (artificial intelligence – A.I., em inglês) é um ramo de pesquisa da Ciência da Computação que se ocupa em desenvolver mecanismos e dispositivos tecnológicos que possam simular o raciocínio humano, ou seja, a inteligência que é característica dos seres humanos.

Como funciona a inteligência artificial?

A inteligência artificial consiste em um ramo da ciência e da informática que tem como objetivo a criação de máquinas inteligentes. Ela se propõe a desenvolver máquinas que tenham a habilidade de pensar e agir como seres humanos, não necessariamente com um “corpo físico”

Qual é o principal objetivo da inteligência artificial?

A inteligência artificial é um ramo de pesquisa da ciência da computação que busca, através de símbolos computacionais, construir mecanismos e/ou dispositivos que simulem a capacidade do ser humano de pensar, resolver problemas, ou seja, de ser inteligente.

Bons ventos para a indústria em 2020

Por Andreas Hoffrichter 1

O sentimento em relação ao desempenho da economia brasileira em 2020 é de otimismo. Isso se deve ao fato de o governo ter feito parte da sua lição de casa e criado um ambiente econômico um pouco menos hostil para o ano que se inicia.

A nova gestão federal demonstrou ter a capacidade de negociar e articular com o Congresso a implantação de medidas tão urgentes e necessárias para tirar o país da recessão. A aprovação da reforma da Previdência, por exemplo, deve gerar uma economia de R$ 800 bilhões nos próximos 10 anos. Também houve o encaminhamento de três propostas de emenda à Constituição (PEC), que tratam do ajuste fiscal e da descentralização de recursos para estados e municípios.

As reformas tributária e administrativa, assim como o projeto para acelerar a privatização das empresas estatais serão tratadas em breve. Vale lembrar que, em 2019, o governo já vendeu mais de R$ 100 bilhões de ativos e fez várias concessões para empresas privadas na área de infraestrutura, principalmente portos e aeroportos.

Faz muito tempo que não temos um cenário tão positivo com expectativas de estabilidade no longo prazo, a começar pela taxa Selic, hoje a mais baixa da história – 4,5% ao ano. Além da taxa básica de juros reduzida, a inflação novamente deve ficar abaixo da meta de 4,25%. Outro ponto é a dívida pública brasileira em relação ao PIB, que está em queda e deve atingir 77,3%, ao invés dos planejados 80,3% para 2019.

Diante desse cenário, investidores e consumidores estão mais otimistas. O índice de confiança do empresário publicado pela Fecomércio-PR em dezembro foi de 127,2 pontos. É o maior índice registrado desde dezembro de 2012, quando atingiu 121 pontos.

Em pesquisa realizada no fim de ano, a maioria dos mais de 200 associados da AHK confirmou essa percepção positiva, e muitos preveem a expansão de seus negócios e novos investimentos.

Inclusive, as possibilidades de negócios aumentam ainda mais em 2020 para as indústrias associadas à AHK Paraná. Em março, uma delegação de empresários alemães das áreas de energia renovável, meio ambiente, automação, mecânica e automotiva estará em Curitiba. O objetivo da comitiva será fazer negócios com parceiros brasileiros.

Diálogo, cooperação e livre-comércio

Decorridos 9 anos sem assinatura de um acordo econômico significativo e após inacreditáveis 20 anos de inércia, o Mercosul assinou em 28 de junho o tão esperado e propalado acordo comercial com a União Europeia. Foi um gol de placa marcado por Brasil e Argentina que finalmente decidiram jogar juntos e aproveitar o enorme potencial que esse acordo trará para ambos.

Baseado no diálogo político, na cooperação econômica e no livre-comércio, o acordo deverá ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países membros, bem como pelo Parlamento Europeu. Estima-se que entrará em vigor dentro de dois anos.

Em um clima de tensões e incertezas no comércio internacional, especialmente entre EUA e China, essa assinatura ressalta o compromisso dos dois blocos com a abertura econômica e o fortalecimento das condições de competitividade.

O acordo eleva a um novo patamar as relações econômicas e políticas entre o Brasil e a União Europeia e sinaliza que os tratados de livre-comércio passam a ser componentes essenciais da nova política comercial brasileira, tão necessária para tornar o Brasil um player importante e competitivo na economia mundial.

Avançamos em 2019, mas precisamos continuar neste caminho para combater a ineficiência estatal em todos os níveis, reduzir o inchaço da máquina pública e continuar a combater a corrupção que ainda assola o nosso país.

É necessário, ainda, facilitar o investimento privado nacional e estrangeiro na infraestrutura, reduzir a intervenção estatal, desburocratizar, desregulamentar e intensificar a privatização das empresas estatais, abrir o nosso mercado e garantir segurança jurídica aos investidores.

Andreas Hoffrichter

Sobre a AHK Paraná – Estimular a economia de mercado por meio da promoção do intercâmbio de investimentos, comércio e serviços entre a Alemanha e o Brasil, além de promover a cooperação regional e global entre os blocos econômicos. Esta é a missão da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), entidade atualmente dirigida pelo Conselheiro de Administração certificado pelo IBGC e Cônsul Honorário da Alemanha em Curitiba Andreas F. H. Hoffrichter.

Fundada em 1972, a AHK Paraná integra uma rede composta por mais de 130 Câmaras binacionais alemãs em 90 países ao redor do mundo que trabalham em prol do fomento profissional de seus associados e no estímulo ao networking entre diferentes organizações. Com foco no desenvolvimento do Paraná, a AHK Paraná está entre as cinco melhores e mais completas câmaras bilaterais do Brasil e agrupa empresas de capital ou know how alemão e companhias brasileiras instaladas no estado com interesses na Alemanha.

Acesse: www.ahkbrasilien.com.br

1 – Andreas Hoffrichter . diretor da C.mara de Com.rcio e Ind.stria Brasil-Alemanha (AHK Paran.) e Conselheiro de Administra..o certificado pelo IBGC

Soluções de Internet Industrial beneficiam segmentos da indústria

Atendimento remoto e análise de KPIs resultam em fábricas mais autônomas e com melhores performances

Conexões remotas, atendimento via internet e análise de dados auxiliam
fabricantes de
papel e celulose a otimizar a qualidade da produção

As soluções da indústria 4.0 oferecem inovações e tecnologias diversas, conquistando cada vez mais espaço no mercado. Tais recursos beneficiam o segmento de celulose, cartão, papel, tissue e energia, que podem utilizar conexões remotas e atendimento via internet para a troca de dados em tempo real.

A Valmet, líder mundial no desenvolvimento e fornecimento de tecnologias, automação e serviços para os setores de celulose, papel e energia, apresenta novas soluções em internet industrial, chamada de Valmet Industrial Internet (VII). Os serviços combinam monitoramento avançado e aplicações de predição, Controle Avançado do Processo (APC), simuladores de processo dinâmico e atendimentos remotos realizados pelos Valmet Performance Centers.

Como resultado, os dados e o conhecimento reunidos pela companhia auxiliam os fabricantes a reduzir o consumo de energia, aprimorar a eficiência química e ambiental, otimizar a qualidade da celulose e do papel, aumentar o processo de confiabilidade, maximizar a produção e capacitar o gerenciamento da variedade de equipamentos existentes.

Atendimento remoto e gestão de performance

Os serviços remotos dos oito Performance Centers da Valmet espalhados pelo mundo são uma das chaves das soluções do Valmet Industrial Internet. Essas automações tornam o know-how da líder finlandesa disponível para a indústria, por meio de conexões e ferramentas remotas.

Técnicos e colaboradores das fábricas se conectam com os especialistas dos Performance Centers, acompanham os KPIs (Key Performance Indicators) e analisam os relatórios de performance em um portal.

“As necessidades dos nossos clientes deram um insight inicial para desenvolver as soluções de transmissão de dados do Valmet Industrial Internet. Nós integramos nosso conhecimento em processo, automação e serviços em um amplo portfólio de aplicações de internet industrial que agregam valor à oferta. Nosso objetivo é capacitar os clientes a caminharem para ter uma planta ou fábrica autônomas, o que resultará em processos e operações de produção significativamente mais eficientes. Queremos encorajar nossos clientes a compreenderem os dados e alavancarem sua performance”, fala o vice-presidente de Internet Industrial da área de Automação da Valmet, Jari Almi.

Conectividade está impulsionando a produtividade na indústria

Por Ricardo Hayashi1

Na Indústria 4.0, tecnologias inovadoras vieram para transformar e otimizar todas as fases da cadeia produtiva, baseadas em interoperabilidade, virtualização, descentralização, informações em tempo real, computação em nuvem e modularização, digitalizando produtos, processos e equipamentos. E o que todas essas tecnologias têm em comum? A necessidade de conectividade para captar e interpretar informações, comunicarem-se entre si e, assim, agirem em conjunto, fornecendo uma visão holística das operações em toda a cadeia e permitindo reduzir custos de manutenção, bem como aumentar a vida útil dos ativos e a produtividade.

A conectividade no chão de fábrica já é uma realidade na aquisição de dados provenientes de diversos sensores e dispositivos de IoT implantados em toda uma linha de produção, possibilita a exploração de grande volume de dados por aplicações de Inteligência Artificial e Big Data Analytics, automatizando a tomada de decisão em busca de redução de custos operacionais, do aumento da produtividade e de novas oportunidades de receita.

Em nossos projetos de implementação de soluções de conexão inteligente e de gestão de ativos, observamos a eficiência dessa nova linha de montagem inteligente, onde o grande fluxo de dados estratégicos enviados e recebidos por todos os componentes da fábrica são analisados em tempo real, conectando pessoas, softwares, equipamentos, máquinas e robôs.

Megatendência tecnológica

A conectividade foi apontada pelo Fórum Econômico Mundial como uma três das tecnologias chaves para transformação da produção, em um estudo apresentado na reunião realizada em janeiro de 2019. Junto com a conectividade, que cria conexões entre dispositivos, sensores, máquinas e softwares, e aumenta a visibilidade do que ocorre no chão de fábrica, o relatório indica a inteligência artificial – que automatiza o reconhecimento do evento e o tratamento para a tomada de decisão – e a automação flexível, que incorpora mecanismos responsivos, automação e movimentos remotos, como as tecnologias que vão impulsionar a produtividade na indústria.

Segundo o estudo, a aplicação dessas tecnologias chaves é que vão determinar o impacto no âmbito da produção inteligente, a partir da escolha do melhor modelo para a integração entre a inteligência, a automação flexível e a conectividade.

Mas todos os benefícios das tecnologias que promovem a Indústria 4.0, fundamentada em inovação, produtividade e competitividade, só poderão ser alcançados se a infraestrutura de conectividade das “coisas” estiver plenamente disponível, e muitas empresas têm obtido sucesso nessa jornada com a implantação de soluções para conexões inteligentes como as Redes Mesh, tecnologia que já vem fazendo a diferença no setor de energia, dando conectividade a medidores inteligentes para permitir a medição remota do consumo.

Na indústria, as Redes Mesh têm permitido rastrear itens produzidos e monitorar grandes objetos físicos, proporcionando conexão sem fio de alta confiabilidade para coletar dados do chão de fábrica e várias outras áreas para a geração de estratégias de manutenções preditivas, superando desafios na busca de maior eficiência operacional, gerando novos negócios e mais valor aos seus produtos, capacitando as empresas que adotam as Redes MESH a enfrentarem a crescente pressão competitiva que marca o atual ambiente de negócios.

Acesse: www.atech.com.br

1 – Responsável por produtos para Conexões Inteligentes da Atech

Dificuldades não inibem investimentos

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Um estudo da Anfavea mostra a evolução da indústria automotiva na década passada, que esteve recheada de obstáculos para o setor

Por Ricardo Torrico

No início de fevereiro, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentou um estudo que mostra a evolução da indústria, dos produtos e do mercado automotivo na década passada. O período se caracterizou pela contínua oscilação de seus indicadores, com destaque para o principal deles, a produção. Em 2010, o setor produziu 3,38 milhões de veículos, atingiu o pico de 3,71 milhões em 2013. A partir de daí caiu até 2,18 milhões, em 2016, recuperando-se parcialmente até 2019, quando produziu 2,94 milhões de unidades – ou seja, uma queda de 13% entre os dois extremos. O estudo também registra que o setor conseguiu manter parcialmente o seu nível de emprego: começou a década com 118 mil e terminou com 107 mil pessoas empregadas – uma redução de 9%.

Outro dado importante é que, entre 2010 e 2019, oito novas marcas iniciaram sua produção e 17 novas fábricas foram inauguradas no País. Assim, neste ano, o setor conta com 67 fábricas, localizadas em 10 estados. O total de veículos exportados durante toda a década foi de 5,2 milhões, começando com 730 mil e terminando com 408 mil. O principal mercado externo dos veículos brasileiros tem sido a Argentina, responsável por 63% das exportações em 2010 e 49% em 2019.

Recursos de fora

Segundo os números registrados no Banco Central, sem o socorro das matrizes, muitas montadoras poderiam sucumbir à longa recessão da segunda parte dos anos 2010. No total, houve um ingresso líquido de US$ 24,1 bilhões, que foram investidos em produtos, tecnologias e modernizações. “Os anos 2010 foram um teste sem precedentes à resiliência da indústria automotiva nacional, e a década de 2020 dá todos os sinais de que será a mais disruptiva na história do nosso setor e da mobilidade. Vale ressaltar que as montadoras absorveram a queda de produção tentando preservar os empregos em nossas fábricas na medida do possível. A redução das vagas em nosso setor foi muito menor do que o tombo do mercado”, afirma o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Novos desafios

Além de uma grande recessão, a indústria nacional enfrentou desafios comuns a todo o setor automotivo global, que é a mudança dos hábitos de consumo e mobilidade. De acordo com levantamento da Anfavea, o Brasil já tem 253 aplicativos de transporte, fenômeno que impacta a forma de venda de veículos. Um exemplo dessas mudanças são as vendas diretas, que pouco sofreram nos anos de depressão do mercado e hoje representam 37% dos licenciamentos de veículos leves no País, excluídas daí as vendas PcD (Pessoas com Deficiência), uma venda varejo com isenções, que por lei é considerada uma espécie de faturamento direto. Entre os vários segmentos de venda direta, as locadoras lideram com quase 20% do mercado total. “Várias empresas terceirizam suas frotas, muitos motoristas de aplicativos usam carros de locadoras, e assim esse canal de vendas torna-se fundamental para o setor automotivo”, explica o presidente da Anfavea.

Na visão de Moraes, a década conturbada que passou deixa várias lições para que a indústria e o Brasil enfrentem os grandes desafios dos próximos 10 anos. “Há muito espaço para melhorar as formas de financiamento de veículos, aumentar a competitividade, ampliar as exportações e explorar o potencial criativo da indústria instalada no País. Só assim cresceremos de forma consistente, sustentável, gerando empregos de qualidade e surfando nas novas tendências de mobilidade conectada”, resume o presidente da Anfavea.

Projeções

A Anfavea prevê que, este ano, o setor deve produzir 3,160 milhões de veículos, o que significa um aumento de 7,3% sobre os 2,945 milhões produzidos em 2019. Já as exportações devem cair 11,0%, passando do total de 428 mil veículos exportados em 2019 para 381 mil, este ano. A entidade atribui essa provável queda, principalmente, à redução das exportações à Argentina, provocada pela crise que o país vizinho enfrenta.

SALÃO DO AUTOMÓVEL É ADIADO PARA 2021

No dia 6 de março, a Anfavea e a Reed Alcântara Machado comunicaram o adiamento da edição deste ano do Salão do Automóvel de São Paulo para 2021. O presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, destacou que “o Salão do Automóvel é um evento que precisa evoluir e refletir o momento de disrupção tecnológica que nossa indústria está vivendo. Em conjunto com a Reed, tomamos a decisão de adiar a edição do Salão de 2020 para reduzir custos e termos tempo de avaliar novos formatos. A revisão do Salão não é um movimento localizado, mas está acontecendo em todos os países do mundo, pelos mesmos motivos.”

Recuperação após uma “Década Perdida”

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O balanço de 2019 da CBIC indica o início da recuperação da indústria da construção civil, depois de uma década de ‘vacas magras’

Por Ricardo Torrico

O início de uma nova década é sempre uma oportunidade para avaliar o desempenho econômico de um país ou setor. Neste início de 2020, ou seja, de uma nova década, alguns setores, como o da construção civil, têm divulgado um balanço da década anterior, com o objetivo de definir as diretrizes para orientar as suas próximas ações. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) fez sua ‘lição de casa’, condensada no estudo Economia nacional e construção civil: desempenho recente e perspectivas, apresentado no dia 12 de fevereiro de 2020, em Brasília, durante a reunião do Conselho de Administração da entidade.

Elaborado pela economista Ieda Vasconcelos, do Banco de Dados da Construção da CBIC, o trabalho analisou o cenário econômico internacional e nacional, com o objetivo propor alternativas para as atividades do setor. A primeira conclusão do estudo é que o período de 2010 a 2019 foi uma ‘década perdida’ para o setor da construção civil, mas que, em 2019, quando os números estiverem consolidados, deverá voltar a ter uma taxa de crescimento superior ao PIB nacional – fato que não acontecia desde 2013 –, o que indica uma clara uma mudança de rota nas suas atividades. A perspectiva é que em 2019 o PIB do setor tenha crescido 2%, enquanto as estimativas sinalizam que o PIB nacional deverá crescer 1,2% – percentual que acabou se reduzindo ao índice oficial de 1,1%, divulgado na primeira semana de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outro levantamento do IBGE indica que o setor da construção civil registrou um crescimento de 62% entre 2006 e 2013, mas entre 2014 e 2018 amargou uma queda de 30%. No cômputo geral do período, o PIB do setor amargou uma redução de 6% entre 2010 e 2019 – o pior desempenho setorial de toda a economia nacional.

Gráfico da pg. 4.  – Evolução do PIB da Construção Civil (Base 1995 = 100)

Emprego informal

Embora seja um dos setores que mais empregam no País, a construção civil se caracteriza pelos seu alto grau de informalidade. Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua, do IBGE, no terceiro trimestre de 2019, a população ocupada total no País correspondia a 93,8 milhões de pessoas, sendo que, desse total, 6,86 milhões, ou 7,31%, são empregados pela construção civil. Mas, enquanto 63% da população ocupada total é formada por trabalhadores formais e 37%, informais, na construção civil ocorre exatamente o contrário: 37% são trabalhadores formais e 63%, informais. Interessante notar a exata inversão os percentuais de formalidade e informalidade entre o total de trabalhadores brasileiros e os da construção civil. Fazendo um cálculo adicional, verifica-se que a construção civil é responsável por 7,31% das pessoas ocupadas, mas responde por 12% da informalidade.

Segundo o CBIC, somente na construção civil mais de quatro milhões de pessoas poderiam contribuir para a Previdência Social, mas não contribuem. Conforme os dados da PNAD Contínua/IBGE, o rendimento médio habitual das pessoas ocupadas na construção civil, em novembro de 2019 – último dado divulgado –, era de R$ 1.788,00. Considerando que o setor tem 4,328 milhões de trabalhadores informais, pode-se concluir que a massa de rendimentos dos informais corresponde a R$ 7,738 bilhões.

O CBIC fez uma simulação sobre a provável contribuição da massa de trabalhadores informais da construção civil à Previdência Social: em um mês, a contribuição seria de R$ 1,305 bilhão; em um ano, seria de cerca de R $17 bilhões; e em dez anos –  considerado o tempo da Reforma Previdenciária –, a contribuição corresponderia a cerca de R$ 170 bilhões.

Sinais de recuperação

De acordo com o levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais, da CBIC, elaborado em dez regiões metropolitanas do País, em 2019, os lançamentos de unidades residenciais cresceram 15,4% em relação a 2018, atingindo 130.137 unidades, enquanto vendas cresceram 9,7%, totalizando 130.434 unidades. Segundo o presidente da entidade, José Carlos Martins, em 2020, os lançamentos e as vendas deverão crescer de 10% a 20%, como resultado da provável recuperação da economia e das novas condições de crédito imobiliário.

Martins considera o grande desafio para o setor imobiliário, em 2020, a busca de uma solução definitiva para a liberação de recursos para os repasses das faixas 1,5 e 2 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Ele estima que, em 2019, as vendas do segmento de habitação de mercado – ou seja, unidades dos padrões médio e alto – tenham crescido quase 30%, enquanto as do programa MCMV sofreram uma queda entre 10% e 15%, devido às restrições na liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Queda nas exportações inibem recuperação

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O aumento na demanda interna não tem sido suficiente para melhorar o desempenho do setor, fortemente afetado pela queda das exportações

Por Ricardo Torrico

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou o mês de janeiro de 2020 com um faturamento total de R$ 7,9 bilhões, o que significou uma queda de 3,6% em relação ao faturamento total de R$ 8,18 bilhões registrado em janeiro de 2019. De acordo com o Departamento de Competitividade, Economia e Estatística (DCEE) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), esse desempenho mais fraco resultou da redução nas vendas do setor no mercado externo. No mercado interno, após dois meses de desaceleração – -2,7% em novembro e -2,9% em dezembro –, em janeiro deste ano, as vendas do setor registraram um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2019.

Recuperação do consumo

O consumo aparente de máquinas e equipamentos (produção interna – exportações + importações) vem registrando melhoras. Em relação ao mês de janeiro de 2019, houve um forte crescimento, de 19,3%, evoluindo de R$ 10,93 bilhões para R

$ 13,03 bilhões. A explicação – segundo o DCEE da Abimaq – está no início da expansão das atividades em 2018 e, mais intensamente, no primeiro trimestre de 2019, depois de um intenso processo de recessão que inviabilizou durante vários anos a realização de investimentos em máquinas e equipamentos por muitos anos.

Queda nas exportações

No entanto, a evolução positiva do mercado interno não foi suficiente para anular a queda observada nas exportações, impactadas pela desaceleração da demanda de máquinas e equipamentos em mercados tradicionalmente importantes. A redução das exportações foi significativa tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo mês de 2019: -26,3% e -26,6%, respectivamente. A desaceleração observada em 2019, provocada por uma conjunção de diversos fatores – crises geopolíticas, guerra comercial entre Estados Unidos e China, e recessão na Argentina –, este ano deverá ter um fator complicador adicional: o surto de epidemia do coronavírus.

Importações em alta

Evoluindo em sentido contrário ao do mercado externo, a recuperação da demanda interna se refletiu também em um forte crescimento nas importações de máquinas e equipamentos. Em comparação com o mês de dezembro de 2019, o aumento nas importações foi de 22,0% e, na comparação interanual, foi da ordem de 22,9%. Segundo o DCEE da Abimaq, esse crescimento, que teve início em maio de 2019, vem sendo puxado pelo aumento dos investimentos em infraestrutura e na agricultura, e no aumento das aquisições de componentes para reposição e produção de máquinas e equipamentos.

Indicadores adicionais

Apesar da recente recuperação do consumo aparente, as taxas de crescimento nas vendas de máquinas e equipamentos registradas nos últimos dois anos não foram suficientes para elevar o nível de utilização da capacidade instalada, que ainda se encontra em 72,5%, ou seja, um pouco abaixo do nível médio de 74% registrado pela indústria de transformação.

A carteira de pedidos da indústria de máquinas e equipamentos também continua reduzida, principalmente, em função principalmente da ausência de grandes projetos de investimentos. Apesar de ter ocorrido um aumento no nível de consultas, no mês de janeiro, houve uma queda de 5,4% na carteira de pedidos.

Após uma significativa recuperação do nível de emprego da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, iniciada em 2018, a partir de setembro de 2019 houve uma sequência de quedas. Assim, após ter alcançado o pico de 309 mil funcionários em agosto de 209, o setor reduziu o quadro de pessoal para pouco mais de 302 mil em dezembro 2019. Apesar da queda das vendas, da redução da carteira de pedidos e do nível de utilização da capacidade instalada, em janeiro de 2020, o setor registrou um aumento de 0,9% no quadro, elevando o número de trabalhadores para 305,2 mil.

Perspectivas nebulosas

Os sinais de desaceleração da economia mundial já vinham sendo sentidos desde o último trimestre de 2019, e se intensificaram com o advento da pandemia de coronavírus, que começou na China, mas já se disseminou por países da Ásia e Europa e, com menos vigor, nos Estados Unidos e América Latina. Como essa pandemia vai evoluir nas próximas semanas e meses é uma questão que mereceria uma sofisticada ‘bola de cristal’, mas agora é um fator adicional para reduzir a demanda mundial de máquinas e equipamentos. O panorama está longe de ser sinistro, mas certamente é nebuloso. “A desaceleração mundial deve continuar e provavelmente vai afetar as exportações brasileiras, não só de máquinas, mas também de manufaturados. No ano passado, houve um decréscimo na exportação de manufaturados e também de bens com alta e alta-média tecnologias. Isso indica que o Brasil está perdendo participação no mercado mundial de bens manufaturados. E os bens primários, que tiveram um bom desempenho, não estão conseguindo compensar o resultado final da balança de pagamentos”, explica José Velloso.

No início deste ano, a Abimaq trabalhava com a perspectiva de que as exportações se mantivessem no mesmo nível do ano passado, mas agora, por conta do problema do coronavíru, têm uma tendência de queda. “Nossa expectativa atual para este ano é que as vendas totais do setor cresçam em torno de 5%. Já o mercado doméstico deve crescer um pouco mais – em torno de 10% –, porque uma boa parte dos investimentos já estão contratados”, explica a gerente de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Maria Cristina Zanella. “Sobre as exportações, que acreditávamos que teriam um crescimento estável, agora achamos que deve ser até negativo, mas neste momento ainda não temos condições de fornecer números mais precisos.”

Provável oportunidade

“Nós temos verificado que, em função do coronavírus, alguns setores, principalmente o segmento de produtos eletrônicos, já sofrem desabastecimento. No nosso setor, por enquanto não temos nenhuma informação que nos permita afirmar que há desabastecimento”, relata José Velloso. “Cabe observar, porém, que já há alguns casos esporádicos de empresas que normalmente importam componentes da China, mas que agora já estão tomando providência para prevenir um mal maior. Essas empresas estão estudando a substituição de componentes importados da China por similares fabricados no Brasil ou importados de outros países. Portanto, pode-se dizer que a crise provocada pelo coronavírus criou uma oportunidade para as empresas nacionais. Se uma empresa já fornecia a um determinado cliente e seu produto foi substituído por um produto chinês, agora ela tem a oportunidade de voltar a fornecer.”

Velloso aponta ainda outra oportunidade, desta vez no mercado externo. “Nosso setor não está começando a exportar agora – ele tem um grande mercado já conquistado lá fora. Portanto, além de existir uma oportunidade de substituir os produtos chineses aqui, também existe a oportunidade de substituí-los nos mercados aos quais já exportamos. E vale lembrar que nosso principal mercado externo são os Estados Unidos, o segundo é a América Latina e o terceiro e a União Europeia”, completa o presidente executivo da Abimaq.

Acesse: www.abimaq.com.br

Como se já não bastassem nossos problemas

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No primeiro trimestre de 2020, a economia brasileira enfrenta uma conjunção perversa de ameaças, que não permitem prever um crescimento maior do que 2% no PIB anual

Por Ricardo Torrico

O mundo anda preocupado com a perspectiva de que, este ano, o crescimento do PIB da China se reduza a 5%, enquanto o do Brasil, se passar de 2%, será motivo de comemoração. Aproximar o crescimento da economia nacional do patamar chinês é um desafio praticamente inatingível, mas perfeitamente explicável: a falta de políticas econômicas de longo prazo, que o governo atual tenta resolver com remédios amargos e de efeito ainda duvidoso.

Na quarta-feira 4 de março, o IBGE anunciou o índice oficial de 1,1% para o crescimento do PIB nacional em 2019 – o mesmo percentual de 2018 e inferior ao 1,3% de 2017. Não foi uma grande novidade para o mercado, que tem o hábito de acompanhar pari passu a evolução desse índice desde o primeiro mês de cada ano. Mas certamente foi um ‘balde de água fria’, considerando que o resultado obtido foi exatamente a metade da previsão feita pelo Banco Central no início do ano passado. Depois do índice de 2019 ter sido anunciado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem prometido um crescimento de, pelo menos, 2% até o final do ano, o que é um motivo de preocupação, já que previsões oficiais como essa costumam não ser cumpridas.

A evolução do PIB é apenas um dos dados que os agentes do mercado avaliam para nortear o rumo dos seus negócios. No caso do Brasil, há outros fatores que também precisam ser levados em conta, com destaque para as reformas estruturais – da Previdência, Administrativa e Tributária –, tidas como indispensáveis dentro da política econômica liberal adotada pelo novo governo para recolocar o País nos trilhos do desenvolvimento. O problema é que tais reformas, prometidas para o final de 2019, ainda têm um longo caminho peça frente para serem aprovadas e, até lá, deve prevalecer o clima de incerteza.

Desafios adicionais

Em fevereiro, um novo e inesperado problema veio se somar ao panorama já nebuloso: a drástica redução da atividade econômica mundial, provocada pela epidemia do Covid-19, um novo coronavirus, que começou na China, mas que não demorou a se alastrar por dezenas de países. O fato de ter surgido na ‘fábrica do mundo’, que reduziu drasticamente sua atividade industrial, provocou outra ‘epidemia’, desta vez econômica, devido à queda na demanda de matérias primas e à redução do abastecimento global de insumos industriais chineses.

Como se isso não bastasse, na primeira semana de março, dois dos maiores produtores de petróleo, a Rússia e Arábia Saudita, começaram uma inesperada guerra de preços, que provocou quedas drásticas dos preços dessa commodity no mercado mundial. O que pode ser uma boa notícia para as empresas de transporte e os donos de automóveis, é uma péssima notícia para os investidores e agentes econômicos em geral, já que, ante a incerteza que provoca, o reflexo imediato é ‘colocar o pé no freio’.

Em termos práticos, ocorreu uma queda abrupta nos índices das principais bolsas de valores mundiais. Na segunda-feira 9 de março, o pânico nas bolsas globais provocou uma queda de 12,17% no índice Bovespa – a maior queda percentual diária desde 10 de setembro de 1998, ano da moratória russa! No Brasil e demais países periféricos, qualquer queda nas bolsas de valores se traduz automaticamente em nova valorização do dólar, que tem batido recordes históricos.

Perspectivas

Fazer uma projeção clara e consistente dentro desse panorama nebuloso – com mais incógnitas do que variáveis – é quase um exercício de adivinhação. No final do primeiro trimestre de 2020, a única certeza é que – assim como as epidemias –, cedo ou tarde, as crises econômicas também passam. O que não se sabe é quando essa recuperação deve ocorrer e quais serão as sequelas negativas para a maioria das economias e cidadãos.

As próximas matérias desta edição enfocam a situação e perspectivas dos principais setores industriais do País – automotivo, construção civil e máquinas e equipamentos –, através da análise das entidades que os representam. Aos empresários cabe usar essas informações para balizar seus próximos passos dentro do denso nevoeiro que se formou sobre a economia globalizada.

CONSUMO de AÇO AUMENTA, mas PRODUÇÃO CAI

Os números colhidos em janeiro deste ano pelo IABr indicam uma queda de 11,1% na produção de aço bruto e uma elevação de 9,8% no consumo aparente

Por Ricardo Torrico

Produção – Em janeiro de 2020, a produção nacional de aço bruto foi de 2,7 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 11,1% frente ao mesmo mês de 2019. A produção de laminados foi de 2,0 milhões de toneladas, apresentando uma alta de 4,5% na mesma base de comparação. A produção de semiacabados para vendas totalizou 605 mil toneladas, com uma queda de 17,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Vale lembrar que, devido à perda que ocorre durante o processo produtivo do aço, a soma da produção de laminados e semiacabados pronto para serem vendidos não equivale ao total da produção de aço bruto.

Vendas e consumo – As vendas internas aumentaram 7,2% frente a janeiro de 2019, atingindo 1,5 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 1,8 milhão de toneladas, o que representa um aumento de 9,8% frente ao apurado no mesmo mês do ano anterior.

Exportações – As exportações de janeiro de 2020 foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 529 milhões, o que resultou em uma queda de 30,4% e 44,5%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2019.

Importações – As importações de janeiro de 2020 alcançaram 228 mil toneladas e US$ 229 milhões, resultando em uma alta de 28,8% em volume e de 8,0% em valor, na comparação com janeiro de 2019.