Por Ricardo Torrico
Em entrevista exclusiva à Revista do Aço, a gerente do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística (DCEE) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Maria Cristina Zanella, aponta os gargalos e possíveis soluções para melhorar a competitividade desse estratégico segmento industrial
Revista do Aço − Supondo que as reformas da Previdência e tributária se concretizem até o final deste ano, quais seriam os reflexos no curto e médio prazos no consumo aparente de máquinas e equipamentos?
Maria Cristina Zanella − Das reformas citadas, uma atinge o setor de forma indireta, enquanto outra de forma direta. A reforma da Previdência vem com o intuito de controlar os gastos do governo e garantir sua solvência. O impacto positivo no consumo aparente de máquinas e equipamentos não se dará diretamente por isso, mas em um país com as contas descontroladas e insolvente sobram as incertezas e o capital tende a buscar alternativas mais seguras. Desta forma, é de extrema importância o país diminuir suas incertezas e mostrar que é viável no longo prazo, sendo esta uma situação necessária, mas não suficiente para aumentar os investimentos e o consumo. A reforma da Previdência é extremamente importante para o país, mas seus reflexos nos setores produtivos se darão por um conjunto maior de ações.
A Abimaq defende uma agenda ampla de reformas, entre as quais a tributária, esta sim com impactos mais direto no consumo de máquinas, desde que a reforma alcance alguns objetivos, como a simplificação e eliminação dos resíduos tributários, ou seja, parte do imposto não recuperável. Isso teria um impacto direto na estrutura de custos das empresas, aumentando a eficiência e alterando assim os preços da economia, com impacto direto no consumo de todos os setores, inclusive em M&E (máquinas e equipamentos).
Com relação ao prazo em que será possível observar as mudanças citadas, depende do item a ser observado. No caso da reforma tributária, o impacto nos custos se daria a partir da reforma totalmente entregue. Reformas deste tipo, que tendem a ser graduais, seu impacto seria proporcional ao modelo de transição, mas teria um impacto imediato na alocação de investimentos, pois alguns deles têm maturação mais longa e esses já contemplariam a mudança. Já a reforma Previdência poderia trazer benefícios mais a médio prazo, porém, para garantir um equilíbrio das contas públicas no longo prazo, outras reformas complementares terão que ser feitas e um exemplo seria a reforma administrativa.
RA − Quanto tempo levaria para o setor recuperar os patamares de receita e emprego registrados entre 2011 e 2013?
MCZ − Uma recuperação completa do setor pode levar muitos anos, caso o Brasil como um todo não consiga ser mais competitivo, eliminando os entraves que atrapalham quem quer investir e gerar empregos no país. Para voltar aos mesmos patamares registrados em 2011 a 2013, uma agenda de competitividade precisa ser traçada e, caso seja cumprida, os efeitos seriam sentidos em toda a economia e estimamos que o setor estaria recuperado dentro de 4 ou 5 anos.
RA − Quais são as propostas da Abimaq para que a reforma tributária tenha um efeito imediato e consistente na demanda de máquinas e equipamentos?
MCZ − Efeitos imediatos através da reforma tributária não são o objetivo da Abimaq. Nossa entidade espera uma reforma tributária que possa eliminar os resíduos, como foi citado anteriormente, além de desonerar os investimentos e a exportação, para que o país possa ter um sistema menos caótico e que lhe possibilite obter mais competitividade. O modelo que mais nos agrada são aqueles que se baseiam na criação do IVA (Imposto de Valor Agregado).
RA − As máquinas importadas têm uma forte participação no consumo aparente da indústria nacional. Quais são os fatores que reduzem a competitividade das máquinas nacionais frente às importadas?
MCZ − São vários os fatores que mais impactam na competitividade do setor. Os que merecem maior destaque são os sistêmicos da economia brasileira, como os impostos não recuperáveis, a logística, o custo do capital, a burocracia, a alta regulamentação e os custos dos investimentos, da energia, dos insumos e, por último, os tributos sobre a folha de pagamento. Mas aqueles que têm maior impacto são o custo de capital e dos insumos, que juntos correspondem a mais da metade dos custos citados.
RA − Do ponto de vista tecnológico, as máquinas e equipamentos brasileiros são competitivos tanto no mercado interno quanto no externo? O que precisa ser feito para melhorar sua competitividade?
MCZ − De forma geral, o setor de máquinas e equipamentos no Brasil tem tecnologia para competir com os principais países do mundo, além de ser um setor altamente internacionalizado, com exportações para os principais países do mundo. Para a Abimaq, uma medida importante e necessária é a redução dos custos de produção, que giram em torno do Custo Brasil, por ser o fator que gera maior impacto na competitividade. Outros fatores também podem ser abordados, como melhoras na capacitação produtiva e para a inovação, bem como na gestão e em RH.
RA − O abastecimento de aço representa um gargalo para a produção de máquinas e equipamentos? O que poderia ser melhorado nesse quesito?
MCZ − Como já comentamos, os fatores mais representativos no custo de produção são os custos de capital e insumos, sendo o aço um importante insumo para o setor de M&E. Desta forma, um custo maior para a aquisição de aço pela indústria brasileira frente às suas concorrentes representa um gargalo para a produção local. Esse problema se resolve com uma reforma tributária e mexendo nas tarifas de importação, a fim de dar mais isonomia do produtor local em relação ao estrangeiro.
Acesse: wwww.abimaq.org.br

Receita líquida total − No mês de julho, a receita líquida da indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou um crescimento de 2,4% em relação ao mês imediatamente anterior, mas uma queda de 5,2% quando comparado com julho de 2018. Em função disso, o crescimento acumulado no ano de 2019 encolheu mais um pouco: de +3,9% no encerramento do primeiro semestre para +2,4% no acumulado de janeiro e julho. Segundo o DCEE da Abimaq, em julho, a piora nas vendas foi provocada pelo mercado doméstico, que encolheu 9,8% em relação ao mês anterior e 17,2% sobre julho de 2018. Apesar disso, o mercado doméstico acumulou um crescimento de 5,8% no período de janeiro a julho deste ano.
Consumo aparente − O consumo aparente de máquinas e equipamentos (produção – exportações + importações), medido em R$ bilhões constantes, registrou um crescimento de 1,7% no mês de julho de 2019 em relação ao mês imediatamente anterior, mas também uma queda de 0,9% quando comparado com julho de 2018, desempenho esse que ocorreu devido ao aumento do consumo de bens importados. Já a aquisição de máquinas nacionais recuou 10% sobre junho de 2019 e 17% sobre julho de 2018. No período de janeiro e julho, o consumo aparente registrou um crescimento de 9,6%, ou seja, ligeiramente abaixo do crescimento de 11,8% acumulado no primeiro semestre, provavelmente refletindo a desaceleração das atividades observada no segundo trimestre deste ano.
De acordo com Dencker a área de prototipagem vem se reinventando. Ele recorda que há uns 15 anos, o Brasil tinha muita limitação no desenvolvimento de protótipos e as partes das peças da Schulz eram produzidas todas separadas e não acompanhava a dinâmica da indústria. Em algumas ocasiões chegaram a produzir protótipos fora do Brasil, na Alemanha, com custo inevitavelmente muito alto, além dos custos com transportes. E mesmo as terceirizadas no Brasil, o tempo de espera pela peça levava até 60 dias. Há alguns anos reduziu para 45 o tempo médio. Mas com a impressão 3D têm-se peças grandes em no máximo três dias e as peças pequenas e médias em poucas horas, e dentro do departamento de engenharia da empresa.
Os analistas Lucas Tuan Schulz e Muryllo Vinci, da equipe de Dencker, destacam também a comodidade de não precisar orientar terceiros sobre o modelo que deseja para cada peça. O equipamento está na sala de trabalho, disponível para o que quiserem co-criar. “A possibilidade de termos uma impressora 3D Taurus aqui na fábrica gera a oportunidade de viabilizarmos novas habilidades e criarmos soluções diferenciadas e impensadas antes dela. Há de forma empírica uma intrínseca vontade de criar novidades e inovações. Não vemos mais necessidade de contratar um especialista externo”, diz Vinci.
“Quando compramos os robôs, algo que deixava a desejar nas fontes iniciais era a potência limitada (ciclo de trabalho), em torno de 350 amperes. Com a solução Fronius, esse problema foi resolvido. A empresa teve ganho de produtividade de até 65%”, explica Rafael Severino, engenheiro e diretor industrial da Painco. Ele conta ainda que, antes da aquisição do equipamento da Fronius, ele pensava que seria necessário investir em mais células robóticas. “A partir do momento que trocamos a fonte, verificamos que poderíamos produzir mais com o mesmo número de células que temos atualmente. E o investimento em uma solução comparado ao de uma célula robótica é muito menor. Hoje a Painco economiza 120 horas de trabalho por mês”, conta o engenheiro.
A TPS600i com PMC (foto ao lado), adquirida pela Painco, é uma máquina que combina as funções inteligentes da sua plataforma de aparelhos com as vantagens do processo de soldagem mais estável. Em especial, a Curva Sinérgica PMC traz um avanço significativo do uso da transferência metálica do tipo pulsada, com uma transferência multicontrolada do arco pulsado, que permite o aumento significativo da velocidade de soldagem, e com um controle tão preciso, que além de diminuir o aporte de calor ao processo, diminui sensivelmente a emissão de respingos. Seu processo de soldagem reduz visivelmente a aplicação de calor em comparação aos outros métodos de soldagem MIG/MAG e traz resultados melhores, pois as matérias-primas são livres de respingos, com menos perdas para o empreendedor e maior economia de tempo. Em combinação com a fonte de solda inteligente TPS600i, surgem ainda áreas de aplicação mais abrangentes: diversas possibilidades de ajuste, por exemplo, permitem regular a aplicação de calor na soldagem de maneira mais precisa, bem como otimizar a capacidade de ponte e o perfil de queima.
Dentre as funções disponíveis estão: tutoriais de instalação, dados técnicos dos equipamentos, dicas para solucionar os status dos inversores, encontrar os distribuidores e FSP (Fronius Solution Partner – Parceiros de Soluções Fronius) autorizados, manuais, certificações e muito mais. “O app funciona como uma central de suporte técnico. Nosso objetivo é ajudar o instalador durante o seu trabalho em campo, reduzir o tempo na resolução de problemas e garantir mais segurança aos técnicos de instalação, já que o aplicativo dirá de forma mais rápida, qual é o status e a solução a ser aplicada”, explica o gerente de Customer Service da Fronius do Brasil, Lucas Ribeiro.
Na feira, a Fronius expos o sistema de soldagem de revestimento Arcing (foto ao lado) destinado especificamente para o agronegócio. Um equipamento à prova d’água, desenvolvido para realizar soldagem em frisos dos rolos de moendas das usinas de açúcar e álcool. Por dispor de automação inteligente, reduz riscos de acidentes graves dos profissionais durante a manutenção. O objetivo é minimizar ao máximo os custos operacionais da produção de cana e etanol, que muitas vezes são maiores do que o ganho total.
A fórmula para esse bom desempenho parece relativamente simples, mas na prática exige uma gestão eficiente. Os tubos da BTL são desenvolvidos e validados de acordo com as mais rigorosas especificações

